- Representantes dos governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Donald Trump se reuniram em Washington para tratar da investigação dos EUA sobre o Brasil, com foco no PIX e no setor de etanol, em encontro técnico sem decisão imediata.
- A delegação brasileira apresentou esclarecimentos sobre pontos já conhecidos da apuração; o vice‑presidente Geraldo Alckmin disse que o governo tem apresentado informações e está confiante na resolução.
- A investigação foi aberta pela Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mirando políticas brasileiras ligadas ao PIX e ao etanol que poderiam dificultar o acesso de exportadores norte‑americanos.
- Os EUA impõem pressões comerciais, incluindo um tarifaço de cinquenta por cento sobre exportações brasileiras no ano passado, e o Brasil afirma que não aceitará pressões para alterar políticas estratégicas.
- A relação comercial coloca os EUA como segundo maior parceiro do Brasil; em 2025 houve déficit de cerca de US$ 7,5 bilhões, e desde 1997 o saldo negativo com os EUA soma mais de US$ 48 bilhões; em 2024 o déficit total com os EUA superou US$ 28 bilhões, principalmente no setor de serviços.
Representantes dos governos de Lula e de Donald Trump se reuniram em Washington, nesta semana, para tratar da investigação dos EUA sobre o Brasil, com foco no PIX. Encontros ocorreram em caráter técnico, sem expectativa de decisões rápidas, mas sinalizam continuidade de uma disputa comercial.
A delegação brasileira apresentou esclarecimentos sobre pontos já conhecidos da apuração, incluindo questões do sistema de pagamentos e políticas setoriais. Segundo fontes, temas discutidos já haviam sido debatidos em audiência anterior em Washington.
O vice-presidente brasileiro, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo está fornecendo informações e que há confiança de que o caso possa ser esclarecido. A investigação é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
A apuração mira políticas brasileiras relacionadas ao PIX e ao setor de etanol, apontadas por Washington como potenciais entraves ao acesso de exportadores dos EUA. O processo foi iniciado no ano passado, após alegações de dificuldades de acesso ao mercado brasileiro.
A Seção 301 permite atuação unilateral dos EUA, sem o mesmo formato de um processo na OMC, ampliando o espaço de ação de Washington diante de denúncias de práticas desleais. A apresentação de informações brasileiras ocorreu ao longo de dois dias de reunião.
Balança comercial
Os EUA são o segundo maior parceiro do Brasil, atrás apenas da China, com histórico de superávit para Washington na relação bilateral. Em 2025, o Brasil registrou déficit de cerca de US$ 7,5 bilhões, devido à queda de exportações brasileiras e ao aumento de importações dos EUA.
Ainda segundo dados oficiais, o déficit com os Estados Unidos persiste desde 2009. O saldo negativo acumulado desde 1997 supera US$ 48 bilhões, com variações ao longo dos anos, conforme o desempenho de exportações e importações.
Em 2024, o déficit total com os EUA ficou acima de US$ 28 bilhões, concentrado principalmente no setor de serviços. A relação comercial revela, assim, maior volume de importações dos EUA no conjunto de bens e serviços.
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