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Massacre de Eldorado dos Carajás completa 30 anos e debates sobre terras

Trinta anos após o Massacre de Eldorado dos Carajás, 21 pessoas foram mortas por policiais durante marcha do MST, impulsionando a criação do Ministério da Reforma Agrária

A desproporção da ação policial foi evidenciada desde as primeiras notícias do massacre - (crédito: Cedoc/CB)
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  • Em 17 de abril de 1996, 21 pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas por policiais militares durante uma marcha do MST na BR-155, perto da Fazenda Macaxeira, no Pará.
  • Mais de 1.500 famílias estavam acampadas; houve evidências de execução e agressões com cassetetes, com a matança durando mais de duas horas.
  • O episódio levou à criação do Ministério da Reforma Agrária, envio do Exército e uma comissão externa do Congresso para apurar os crimes.
  • Até hoje, apenas dois policiais foram condenados: o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira; outros indiciados não foram punidos.
  • O Monumento Eldorado Memória, idealizado por Oscar Niemeyer, foi destruído pouco tempo após a inauguração; a Fazenda Macaxeira foi desapropriada e originou o Assentamento 17 de abril, data que passou a simbolizar o Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária.

No dia 17 de abril de 1996, 21 pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas durante a repressão policial a uma marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na BR-155, próximo à Fazenda Macaxeira, no sul do Pará. O episódio ficou conhecido como o Massacre de Eldorado dos Carajás e teve repercussão internacional, marcando o debate sobre luta por terras no Brasil.

Segundo registros da época, a ação policial foi marcada por disparos, agressões com cassetetes e ferimentos com objetos cortantes. Pacientes atendidos por equipes médicas apresentaram sinais de execução. A duração do tiroteio foi estimada em mais de duas horas, deixando chegar às ruas a imagem de violência desproporcional.

Desdobramentos e reação pública

A repercussão política foi imediata. O então presidente Fernando Henrique Cardoso condenou a violência, afirmando que não havia justificativa para atacar manifestantes. A violência levou à criação do Ministério da Reforma Agrária e à vinda do Exército para o local, além de uma comissão externa do Congresso para apurar os crimes.

Ao longo de anos, apenas dois policiais foram condenados: o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira, com penas de 228 e 158 anos, respectivamente. Outros 155 policiais foram indiciados, sem punição. Fazendeiros também não foram condenados.

Memória e consequências

Em 1996, o arquiteto Oscar Niemeyer propôs o Memorial Eldorado Memória, inaugurado em Marabá, mas destruído em menos de um mês. Em 1997, a Fazenda Macaxeira foi desapropriada e o MST criou o Assentamento 17 de abril. A data passou a simbolizar o Dia Nacional da Luta pela Reforma Agrária.

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