- investigação do Fantástico aponta fraudes processuais e abusos cometidos por policiais militares de são paulo durante o uso de câmeras corporais, com 32 processos julgados entre 2021 e 2025, apurados pela corregedoria da polícia militar.
- ao menos 26 desses processos, envolvendo 75 policiais, têm em comum a manipulação ou a tentativa de impedir o registro das câmeras, prática classificada como fraude processual pelo ministério público.
- um dos casos emblemáticos ocorreu em outubro de 2022, na zona norte, quando o terceiro-sargento Bruno Gonzaga Alves atirou com estilingue contra pedestres e motociclistas; ele foi condenado a quatro anos de prisão em regime semiaberto e exonerado.
- em maio de 2023, em guarulhos, três policiais foram condenados após passarem horas em uma adega durante o expediente, consumirem bebida alcoólica e sofrerem acidente com a viatura.
- em abril de 2024, na zona leste, policiais foram condenados a pouco mais de um ano em regime aberto por violência arbitrária e fraude processual, após obstrução das câmeras; a corregedoria identificou crimes por uso de câmeras com modo recall, enquanto novas câmeras sem recall foram adotadas.
O Fantástico revelou uma série de fraudes processuais e abusos cometidos por policiais militares de São Paulo durante o uso de câmeras corporais. O levantamento analisou 32 processos julgados pelo Tribunal de Justiça Militar, entre 2021 e 2025, todos apurados pela Corregedoria da PM.
Ao menos 26 casos envolvem 75 policiais e apontam manipulação ou tentativa de impedir o registro das câmeras, prática classificada pelo Ministério Público como fraude processual. As apurações resultaram em condenações, exonerações e penas em regimes aberto e semiaberto.
Um episódio emblemático ocorreu em outubro de 2022, na Zona Norte, quando o terceiro-sargento Bruno Gonzaga Alves atirou com estilingue carregado contra pedestres e motociclistas. Ele recebeu condenação de quatro anos de prisão em regime semiaberto e foi exonerado.
Segundo o MP, parte das ações não tinha caráter de policiamento, mas de atitudes humilhantes e sádicas. As acusações são respaldadas por imagens gravadas pelas câmeras, incluindo registros em modo recall, que grava continuamente mesmo quando o equipamento é desligado.
Em maio de 2023, em Guarulhos, três policiais foram condenados após passarem horas em uma adega durante o expediente e consumirem bebida alcoólica, o que provocou o capotamento da viatura. Laudo médico indicou alcoolemia entre os agentes.
Violência arbitrária também foi identificada em março de 2023, na Zona Sul, com condutas de agressão a um entregador de motocicleta e à passageira. As cenas foram captadas por câmeras corporais e por sistemas de segurança locais.
Um caso envolvendo a morte de Jonathan Azevedo, em abril de 2024, na Zona Leste, mostrou um soldado dando coronhada e pisando no pescoço da vítima. A gravação foi interrompida por 13 minutos pela equipe, e a perícia apontou overdose como causa da morte. A Justiça Militar aplicou pena de pouco mais de um ano em regime aberto, por violência arbitrária e fraude processual.
A Corregedoria identificou os crimes graças ao modo recall, que permitia gravação contínua. A Secretaria de Segurança Pública passou a usar novos dispositivos, sem esse modo desde o ano passado, o que dificulta a contestação de registros.
Segundo o promotor de Justiça Militar, a mudança tecnológica dificulta a comprovação de condutas abusivas, mas não elimina a possibilidade de apuração. A apuração segue em andamento para casos adicionais já mencionados pela investigação.
A reportagem reforça que as ações analisadas refletem padrões de conduta analisados pelo MP como contrários ao serviço público. O material completo foi produzido pelo time de jornalismo do Fantástico, sem divulgação de contatos ou links externos.
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