- Executivos da Iberdrola Espanha, Endesa e Naturgy afirmam que a atuação do operador do sistema, Rede Elétrica (REE), foi “no limite” de segurança no dia do apagão, e que sinais de sobretensão anteriores eram fortes.
- O CEO da Iberdrola Espanha, Mario Ruiz-Tagle, pediu máxima transparência e divulgação de áudios entre técnicos, além de maior transparência do operador com o setor, como já solicitado pela CNMC.
- O CEO da Endesa, José Bogas, afirmou que a REE operou de forma muito limitada e cobrou maior aporte de centrais síncronas; responsabiliza a REE por ter instrumentos para evitar o problema, mesmo sem apontar culpados.
- O presidente da Naturgy, Francisco Reynés, disse que a empresa fornecia reativa suficiente (478 MW) com três ciclos combinados, e não quis comentar os áudios filtrados; destacou a necessidade de adaptar procedimentos diante do novo mix de geração.
- A CNMC abriu expedientes contra instalações de Endesa, Iberdrola e Naturgy; parlamentares questionaram pouco sobre esses casos, e houve debate sobre custos da operação reforçada e o papel das renováveis para evitar novos apagões.
O PROJETO DE UM APAGÃO FOI DISCUTIDO EM COMISSÃO DO CONGRESSO
Executivos das grandes elétricas participaram pela primeira vez de uma comissão de investigação sobre o apagão ocorrido no último ano. A audiência incluiu representantes de Iberdrola, Endesa e Naturgy, que apresentaram sua leitura sobre as causas e as medidas adotadas pelo operador do sistema, REE.
Os executivos analisaram sinais de sobrevoltagem, criticando a atuação do operador. Segundo eles, houve priorização de uma operação com margens de segurança apertadas, que não evitaram problemas de tensão. Apontaram que algumas medidas acabaram agravar a situação.
Quem falou
Mario Ruiz-Tagle, CEO da Iberdrola Espanha, afirmou que REE deveria ter adotado critérios de prudência maiores. José Bogas, CEO da Endesa, disse que a rede foi operada no limite e sugeriu acionamento de mais centrais síncronas. Francisco Reynés, presidente da Naturgy, contestou a leitura de que a empresa tenha contribuído com o problema.
Quando e onde aconteceu
A comissão de investigação foi aberta no Congresso dos Deputados para avaliar o apagão que afetou parte do país. A audiência reuniu os executivos na semana em que a CNMC abriu expedientes sancionadores contra instalações de todas as três companhias. O objetivo é esclarecer eventos ocorridos em dias anteriores ao incidente.
Por que ocorreu, segundo as maiores redes
Os executivos destacaram sinais de risco observados semanas antes do apagão. A Iberdrola sustenta que a proteção de sobrevoltagem poderia ter evitado danos maiores caso o controle de tensão tivesse sido menos reservado. A Endesa apontou oscilações de frequência como indicativo de vulnerabilidade sistêmica. Naturgy discutiu a contribuição de seus ciclos combinados para a estabilidade.
O que disse cada empresa
Iberdrola argumenta que a mudança de operação, chamada de operação reforçada, elevou o uso de centrais síncronas, elevando custos e não impedindo o apagão. Endesa afirma que o custo da operação reforçada é alto, com impactos em margens diante da alta de gás. Naturgy defende que seus ciclos combinados mantinham a contribuição de reactiva necessária.
Sobre os expedientes da CNMC
A CNMC abriu expedientes contra 17 instalações ligadas às três empresas, apontando questões de tensão. As informações abrangem auditorias de dois anos e envolvem centenas de milhões de dados. As respostas oficiais ainda estão em análise, com prazos e procedimentos a serem cumpridos.
Contexto regulatório e operacional
Os executivos discutiram a necessidade de ajustes no mix de geração para reduzir vulnerabilidades. Entre as propostas estão maior uso de renováveis com controle de tensão e reforço na coordenação entre operadores. A CNMC indicou que novas medidas administrativas podem surgir a partir das investigações.
Posições sobre o custo e o papel do setor
As empresas defendem que a segurança de abastecimento deve vir com investimentos proporcionais, inclusive em novas capacidades de geração. A defesa conjunta sustenta que redes e procedimentos precisam evoluir para evitar repetição de eventos similares, mantendo o fornecimento estável.
Impacto e próximos passos
Especialistas e autoridades acompanham as investigações, com foco em esclarecer responsabilidades técnicas e administrativas. Não há conclusão anunciada, apenas encaminhamentos para entender o que ocorreu, quais falhas ocorreram e como evitar recorrência.
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