- Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro, já fez 544 exonerações desde que assumiu há quase um mês, segundo o governo.
- Além das demissões, ele restringiu licitações e determinou auditorias em contratos, despesas e quadro de pessoal dos órgãos estaduais.
- Mudanças atingiram secretarias e estatais, com substituições e nomeação de procuradores para cargos, incluindo Rioprevidência e Cedae, ligadas a investigações sobre o Banco Master.
- A gestão interina enfrenta críticas de aliados de Cláudio Castro, que questionam as demissões e afirmam que, por não haver eleição, alterações estruturais não seriam apropriadas.
- O governo diz que as medidas visam revisão estrutural e economia de cerca de R$ 8 milhões por ano. A sucessão no STF segue indefinida, mantendo Couto no cargo.
O governo do Rio de Janeiro, sob comando do governador interino Ricardo Couto, divulgou que já foram realizadas 544 exonerações em menos de um mês. Além disso, Couto restringiu licitações e abriu auditorias em contratos, despesas e quadros de pessoal.
A medida chega após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro. A gestão interina era prevista para durar poucos dias, com eleição para mandato-tampão, mas o cronograma foi afetado pela indefinição no STF sobre a sucessão.
Desde que assumiu, Couto promoveu cortes na máquina pública e reorganizou secretarias e estatais. Também nomeou procuradores do estado para cargos, incluindo Rioprevidência e a Cedae, que estão sob investigações ligadas a investimentos no Banco Master.
Segundo o governo, as exonerações decorrem de “inconsistências funcionais”, como ausência de cadastro de acesso a sistemas internos e de credenciamento institucional. Alega-se que as medidas visam reduzir gastos e aumentar a eficiência.
O espaço de atuação também se concentrou na redução de licitações, com auditorias em contratos e quadros de pessoal. O objetivo declarado é economizar cerca de R$ 8 milhões por ano.
Sucessão em xeque
O julgamento do STF, que pode definir a forma da sucessão de Castro, está suspenso. O estado permanece sem governador e sem vice, já que Thiago Pampolha renunciou em 2025 para o Tribunal de Contas do Rio.
O substituto imediato estaria no papel o presidente da Alerj, mas Rodrigo Bacellar foi afastado e cassado. Com isso, o presidente do TJ, Ricardo Couto, atua como ocupante do cargo.
O STF analisa duas possibilidades para o governante-tampão: eleição indireta pelos deputados ou eleição direta pela população. Outras questões discutidas envolvem eventual possibilidade de eleições diretas separadas.
Encontro entre ex e atual
Cláudio Castro e Ricardo Couto reuniram-se na última sexta-feira, na sede do Tribunal de Justiça, para tratar das demissões. A reunião ocorreu a pedido de Couto.
Pessoas próximas citam cautela sobre as mudanças e questionam critérios usados nas exonerações, como acesso a sistemas. Segundo interlocutores, Couto nega perseguição política e afirma que as mudanças visam conter gastos.
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