- Plataformas de gig economy voltadas para enfermagem buscam desregulamentar o setor de saúde para ampliar o trabalho por contrato, segundo relatório da AI Now Institute.
- O uso de inteligência artificial é empregado para definir salários, monitorar métricas de desempenho e determinar futuros acessos a empregos e remuneração; há também leilões de plantões onde o menor lance vence.
- Três plataformas de gig nursing atingiram avaliação de 1 bilhão de dólares e têm recebido investimentos e contratos com órgãos públicos, incluindo centros de detenção de imigração (ICE).
- Desde 2022, pelo menos dezoito estados consideram projetos de lei para isentar plataformas de gig nursing de regulamentações de recrutamento de saúde e de proteção aos trabalhadores, com avanços em diversos estados.
- Em nível federal, há propostas para expandir o trabalho independente, incluindo projeto de lei que permitiria contratação por governo para emergências e isenção de responsabilidade das plataformas; Nova York aprovou, em 2025, lei que exige conformidade com regulamentações estaduais de staffing em saúde.
BILHETES DO SETOR DE SAÚDE: apps de trabalho temporário pressionam pela deregularização do setor, segundo relatório. A AI Now Institute publicou na terça o estudo Uber for Nursing Part II, que analisa o uso de inteligência artificial para contratar, remunerar e gerenciar enfermeiros em hospitais e clínicas. O objetivo é ampliar o trabalho por gig no cuidado à saúde.
O relatório alerta que a expansão dessa tecnologia pode reduzir direitos, proteções e salários dos trabalhadores. Empresas usam IA para definir pagamentos, monitorar métricas de desempenho e decidir o acesso a futuras oportunidades de trabalho.
O modelo envolve lances de enfermeiros para cada turno, com o lance de menor remuneração vencendo a vaga. Três plataformas de gig nursing atingiram valorização de 1 bilhão de dólares, atraindo investimentos de private equity e contratos com facilities públicas, inclusive detentores de centros de detenção.
“A IA está presente em softwares de gestão de pessoas, o que coloca enfermeiros em locais sem orientação adequada, sem seguro de acidentes de trabalho e sem mecanismos de proteção em caso de doença ou cancelamento”, disse a coautora do estudo, Dra. Katie J. Wells.
Lado financeiro e regulatório
O relatório aponta que a indústria tem encontrado vias para ampliar a atuação com intervenções legislativas. Em pelo menos 17 estados norte-americanos, desde 2022, membros do Legislativo apresentaram propostas para poupar plataformas de regras aplicadas a agências de contratação de pessoal em saúde.
Bancos de dados indicam avanços de projetos de exceção em Colorado, Illinois, Iowa, Louisiana, Minnesota, Missouri, Nevada e Rhode Island. Políticas de isenção de leis de proteção ao trabalhador também têm ganhado fôlego em Georgia, Ohio, California, Pennsylvania, Missouri e Wisconsin.
Casos já consolidados incluem a isenção de proteção ao trabalhador em West Virginia e de seguro-desemprego na Louisiana. O relatório compara a prática a lobbies de empresas de ride-hailing, que buscam não ser enquadradas como transporte público.
Perspectivas e limites
A pesquisadora ressalta que, no nível federal, a indústria tem defendido a expansão de trabalho independente e apresentou proposta de lei para contratação de plataformas por vocação de emergência, com isenções de responsabilidade por danos ao paciente.
Em Nova York, porém, a normativa estadual de 2025 exige que plataformas de gig nursing cumpram regras de agências de contratação na saúde, sinalizando um caminho regulatório distinto de outros estados.
Wells também observa que o setor de saúde registra crescimento de empregos e que a consolidação dessas plataformas pode ampliar riscos para trabalhadores, pacientes e segurança pública, dependendo de como as regras evoluírem.
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