- Desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, criticou liminar do STF que limitou penduricalhos da magistratura.
- STF fixou teto de R$ 46.366,19 para magistrados e membros do Ministério Público e proibiu verbas indenizatórias sem lei federal aprovada.
- Liminar determina corte imediato de benefícios, como auxílio-natalino, auxílio-alimentação e licenças compensatórias, com efeitos a partir de abril e pagamento de maio.
- Eva afirmou que pertencimento à magistratura está sob pressão e que a categoria enfrenta visões de “vilões da história” e narrativas que reforçam esse retrato.
- Ela disse que muitos juízes chegam a trabalhar fim de semana, plantões e outras funções sem retrato fiel da rotina, e que há risco de não poder pagar contas no futuro.
A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), criticou a decisão liminar do STF que limitou penduricalhos da magistratura. Em sessão da 3ª Turma de Direito Penal, disse que pertencer à magistratura pode, no futuro, deixar de ser visto como privilégio e lembrou que há o risco de ser associado a regime de escravidão. O comentário ocorreu em 9 de abril.
Ela afirmou que juízes vêm sendo retratados como bandidos e que a imagem atual transforma magistrados em vilões da história. Segundo a magistrada, esse enquadramento dificulta a permanência na carreira, ao superar a visão de profissionais que zelam pela proteção e pela justiça.
A liminar do STF fixou o teto de R$ 46.366,19 para magistrados e membros do Ministério Público, proibindo auxílios e verbas indenizatórias sem lei federal aprovada pelo Congresso. Também determinou corte imediato de benefícios como auxílio-natalidade, auxílio-combustível e alimentação, com efeitos já a partir de abril e pagamento de salários em maio.
Contexto da decisão e impactos
Durante a sessão, Eva do Amaral Coelho afirmou que não recebe mais auxílio-alimentação e nem gratificação por direção de fórum, citando perdas econômicas ligadas às mudanças. A desembargadora mencionou ainda que magistrados trabalham fora do expediente, em plantões e revisões de votos, muitas vezes em horários noturnos.
Ela ressaltou que a narrativa de que magistrados buscam apenas verbas dificultaria a percepção pública sobre a atuação profissional. A magistrada descreveu a situação como uma tensão interna, com a preocupação de não conseguir pagar as contas no futuro.
A CNN Brasil solicitou posicionamento do TJPA e aguarda retorno. Esforços de contatos diretos com a desembargadora também foram realizados. As informações que embasam a matéria são as declarações feitas na sessão e o conteúdo da decisão liminar do STF.
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