- O ministro Gilmar Mendes enviou a Alexandre de Moraes pedido para incluir o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema no inquérito das fake news.
- O processo corre sob sigilo no Supremo, e a solicitação foi confirmada pela CNN.
- O pedido ocorreu após Zema compartilhar um vídeo com fantoches de Gilmar Mendes e do ministro Dias Toffoli discutindo a suposta quebra de sigilo pela CPI do Crime Organizado, com menção ao Tayayá Resort.
- O material faz relação com o caso Master, envolvendo a Maridt Participações, ligada a Toffoli, e vínculos com o fundo que investiu no resort de familiares dos ministros.
- Zema afirmou à CNN ter ficado surpreso e decepcionado, dizendo que houve tentativa de silenciar quem discordar, e segue crítico ao STF enquanto busca a Presidência.
O ministro Gilmar Mendes enviou a Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news, pedido para incluir o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) na investigação. O processo corre em sigilo no Supremo.
O requerimento foi encaminhado após Zema compartilhar um vídeo com fantoches de Gilmar Mendes e Dias Toffoli discutindo o caso Master. No vídeo, Toffoli aparece como fantoche que fala com Gilmar sobre suposta aprovação de quebra de sigilo.
O material faz referência à decisão de Gilmar de anular a quebra de sigilo aprovadas pela CPI do Crime. A CPI aprovou quebra de sigilo da Maridt Participações, ligada a familiares de Toffoli, em relação a pagamentos do Banco Master.
A Maridt Participações S.A pertence a irmãos Toffoli e já integrou o quadro societário do Tayayá Resort, frequentado pela família. A empresa vendeu participação no resort a um fundo ligado a Daniel Vorcaro, então dono do Master.
O fundo é administrado pela Reag, gestora que também investiu na DGEP Empreendimentos, associada a Mario Degani, primo de Toffoli. Em 2025, a Reag foi alvo de investigação por suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC e a operações no setor de combustíveis.
No vídeo, o fantoche de Gilmar menciona indícios de lavagem de recursos e relação da Maridt com o Master, ampliando o tom de denúncia sobre o caso.
Inquérito das fake news
O inquérito, relatado por Moraes, foi aberto em 2019 por decisão de Toffoli, então presidente do STF, para apurar notícias falsas e ameaças à Corte. O caso envolve suposto grupo criminoso disseminando conteúdos contra o Supremo.
O processo também envolve, até hoje, a relação entre ministros e ações na internet. Moraes já incluiu, em 2021, Jair Bolsonaro no inquérito por declarações sobre o sistema eleitoral. O sigilo permanece sem prazo para encerramento.
Reação de Zema
Zema afirmou, em entrevista à CNN, que recebeu com surpresa a tentativa de inclusão no inquérito. Disse que usou a alegoria dos fantoches para mostrar congestões políticas, sem responsabilizar indivíduos.
O ex-governador, que disputará a Presidência, tem sido crítico ao STF e aos seus ministros. Zema já defendeu afastamento e prisão de Toffoli e Moraes e sinalizou foco no STF em seu plano de governo.
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