- A operação Sem Desconto completa um ano e expõe um esquema bilionário de fraudes em benefícios do INSS, com descontos irregularmente efetuados.
- Do total de R$ 6,3 bilhões desviados, já foram reembolsados R$ 3.011.377.439 a 4,5 milhões de vítimas; ainda há 748.734 beneficiários aptos a pedir devolução, com prazo até 20 de junho.
- A investigação aponta três núcleos: político, financeiro e de comando; o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, é suspeito de receber propina mensal de R$ 250 mil.
- Delações podem avançar o inquérito; Mauricio Camisotti já confessou participação e assinou acordo com a Polícia Federal, que será analisado pela PGR.
- As apurações começaram em 2023, deflagração ocorreu em 23 de abril de 2025 com mais de 200 mandados e prisões em 13 estados; em março houve a operação Indébito, com prisão de quatro pessoas.
A Operação Sem Desconto, desencadeada pela Polícia Federal e pela CGU em abril de 2025, expôs um esquema bilionário de fraudes em benefícios do INSS que se estendia de 2019 a 2024. Nesta quinta-feira, completa um ano com menos da metade dos valores desviados devolvidos aos prejudicados.
Segundo balanço do INSS, já foram reembolsados R$ 3.011.377.439 a 4,5 milhões de vítimas. Outros 748.734 beneficiários ainda podem solicitar ressarcimento, com prazo até 20 de junho para contestar valores indevidos.
Delações podem auxiliar o inquérito. PF aponta crimes como corrupção, violação de sigilo e organização criminosa, com o esquema dividido em núcleos político, financeiro e de comando.
Como começou a apuração
As investigações começaram em 2023, quando a CGU identificou aumento de entidades e descontos em aposentadorias. Auditorias em 29 entidades com ACTs mostraram falhas de documentação e estrutura inadequada.
Na deflagração, a PF cumpriu mais de 200 mandados e prendeu suspeitos no DF e em 13 estados. Foram apreendidos carros, dinheiro, joias e obras de arte.
Até o momento, a PF já realizou cinco fases. A última, em março, levou à prisão de membros de diversos órgãos, incluindo a deputada Gorete Pereira, que passou a usar tornozeleira eletrônica.
CPMI do INSS
A CPMI do INSS entregou dois relatórios, mas nenhum foi aprovado pelo Congresso. O relator Gaspar sugeriu indiciar dezenas de pessoas, incluindo empresários e políticos, o que gerou resistência parlamentar.
Relatórios alternativos com quase 2 mil páginas chegaram a indicar o ex-presidente Jair Bolsonaro entre os indiciados. Parlamentares governistas encaminharam o material a PF e PGR para análise.
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