- O BRB acumula os indícios mais claros de corrupção ligados ao Master, após a tentativa de compra do banco pela instituição distrital em março do ano passado.
- A PF e o Banco Central investigam o caso; o BRB vendeu ao banco estatal uma carteira de créditos de cerca de R$ 22 bilhões, com mais de R$ 12 bilhões considerados fraudulentos.
- O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso, e houve relatórios de que ele era próximo do empresário Daniel Vorcaro, com evidências de propina envolvendo imóveis.
- O BRB aprovou, em assembleia, aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões, enquanto o capital atual é de cerca de R$ 2,3 bilhões, sinalizando o tamanho do rombo e a dificuldade de recomposição.
- O governo do Distrito Federal, controlador com 53,7% das ações, tenta alternativas como empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC); não há garantias de apoio federal e a privatização não é opção adotada localmente.
O Banco Regional de Brasília (BRB) viveu um momento crítico ligado a suspeitas de corrupção envolvendo autoridades ligadas ao Master. Em março do ano passado, a tentativa de compra do Master pelo BRB acionou investigações da Polícia Federal e do Banco Central. O foco agora é a relação entre as partes e os impactos no BRB e no governo local.
Segundo as apurações, o BRB vendeu ao Master uma carteira de créditos estimada em cerca de R$ 22 bilhões, com mais de R$ 12 bilhões considerados fraudulentos. Recentemente, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teve a prisão decretada, e o STF iniciou o julgamento sobre a manutenção da custódia.
Mensagens apreendidas pela PF mostram Costa tratando Vorcaro como aliado e prometendo atuação favorável a temas do interesse dele. Há indicações de que o então governador do DF, Ibaneis Rocha, pediu argumentos para defender a operação de compra. Costa é apontado, em apuração, como possível beneficiário de propina em imóveis.
Paralelamente, o BRB enfrenta um rombo bilionário cuja dimensão exata ainda não foi publicada, já que o balanço de 2025 não foi divulgado. Investigações indicam perdas relevantes associadas à operação com o Master e à gestão de crédito. A instituição discute caminhos para reduzir o dano.
Nesta quarta, o BRB aprovou em assembleia de acionistas um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões. O capital atual é de cerca de R$ 2,3 bilhões, o que evidencia a magnitude do problema herdado pela instituição. A medida depende de aprovação regulatória e confiança de mercado.
O governo do Distrito Federal detém 53,7% das ações do BRB, o que complica a saída de controle. A opção de privatização permanece descartada pelas forças políticas locais, deixando a gestão sob controles públicos. A dúvida é como manter a governança sem ampliar o risco fiscal.
Enquanto o cenário se complica, o BRB tem tentado vender parte da carteira adquirida do Master. A expectativa é arrecadar entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões à vista, esforço que não cobre completamente o rombo estimado.
O Distrito Federal busca apoio financeiro, inclusive com estudo de empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Contudo, as garantias necessárias ainda não foram asseguradas, deixando o socorro incerto.
A governadora Celina Leão tem procurado apoio do governo federal, porém as portas do Tesouro parecem fechadas. O cenário atual aponta para a necessidade de ajustes rigorosos na gestão do BRB, com foco em regras de mercado e supervisão do Banco Central.
Entre na conversa da comunidade