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PC abre processo que pode levar à demissão de delegada após morte de gari

Polícia Civil instaurou PAD contra delegada afastada desde agosto de 2025, investigada por conduta grave ligada à morte de gari, com possível demissão

A delegada Ana Paula Lamego Balbino, esposa de Renê da Silva Nogueira Júnior, acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes, teve a licença médica renovada - (crédito: Redes sociais/Reprodução)
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  • Polícia Civil de Minas Gerais abriu Processo Administrativo Disciplinar contra a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira, com possibilidade de demissão, por condutas incompatíveis com o cargo.
  • A investigação, em sigilo, está ligada à morte do gari Laudemir de Souza Fernandes, ocorrida em agosto de 2025 durante uma briga de trânsito no Bairro Vista Alegre, em Belo Horizonte; o autor do disparo seria Renê da Silva Nogueira Júnior, marido da delegada, que teria utilizado uma arma dela.
  • A delegada está afastada desde 13 de agosto de 2025, com licenças médicas sucessivas, sem exercer funções operacionais; a medida tramita sob a Corregedoria-Geral.
  • Na esfera criminal, Ana Paula é indiciada por prevaricação e porte ilegal de arma; a investigação aponta que Renê usava pistolas Glock, incluindo uma Glock calibre .380 que pertenceria à delegada.
  • No dia do crime, testemunhas disseram que Renê ameaçou uma motorista de caminhão antes de disparar; a versão da delegada de que o marido não tinha acesso às armas é contestada pelas provas reunidas.

A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um Processo Administrativo Disciplinar PAD contra a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira. A medida pode levar à demissão, conforme portaria publicada pela Corregedoria-Geral no Diário Oficial do Estado (DOE) desta quinta-feira 23/4. A apuração tramita em sigilo e está ligada à morte de um gari ocorrida em agosto de 2025.

A vítima foi Laudemir de Souza Fernandes. O crime aconteceu durante uma briga de trânsito no Bairro Vista Alegre, região Oeste de Belo Horizonte. O empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, marido da delegada, é apontado como autor do disparo usando uma arma de fogo que, segundo apurações, pertencia a ela.

O que diz a portaria

A delegada, que ocupa o nível especial da carreira, é investigada por transgressões disciplinares graves. Os dispositivos citados referem-se a condutas incompatíveis com a função pública, uso indevido do cargo e dano à instituição. A pena prevista para esse tipo de infração, em tese, é a demissão.

Entre os artigos citados estão o 149, que trata das infrações gerais, e o 150, que lista proibições como atos que gerem escândalo, desídia e uso do cargo para obter vantagens. Também aparecem o 152, §2º, II-IV, com circunstâncias agravantes, e o 158, II, além do 159, II e IX, que tratam de penalidades mais severas e demissão.

Como funciona o PAD

O PAD é o instrumento da Administração Pública para apurar possíveis infrações de servidores. Avança em fases: instauração, inquérito administrativo e julgamento. A comissão responsável tem prazo de 60 dias, passível de prorrogação, para concluir a apuração.

A delegada está afastada desde 13 de agosto de 2025, dois dias após o crime. O afastamento ocorreu para tratamento de saúde, com primeira licença por 60 dias e publicações no DOE em agosto, seguidas por renovações em dezembro de 2025 e fevereiro de 2026. Durante o período, não atuou operativamente.

Indiciamento e apuração

Na esfera criminal, Ana Paula foi indiciada por prevaricação e porte ilegal de arma. A investigação aponta que ela teria cedido ou permitido o uso de sua pistola pelo companheiro, Renê. Também há alegações de que ele utilizava armas da Polícia Civil.

Segundo o apurado, Renê teria utilizado a pistola Glock calibre .380, possivelmente a arma envolvida no crime, além de outra Glock de calibre 9 milímetros que estaria sob custódia da corporação. A delegada foi chamada à sede da Corregedoria para prestar esclarecimentos sobre o uso de arma. O porta-voz da corporação, delegado Saulo Castro, informou que ela negou conhecer o crime.

O dia do crime e as circunstâncias

No dia 11 de agosto, Laudemir trabalhava em uma fila de retirada de caminhões no Bairro Vista Alegre. A motorista do caminhão, Eledias Aparecida Rodrigues, relatou que Renê fez ameaças com a arma após entrar em conflito com a fila. Relatos indicam que, diante da tensão, o motorista efetuou um disparo que atingiu a vítima, que chegou a ser socorrida ao Hospital Santa Rita, em Contagem, mas morreu.

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