- O delegado Carlos Alberto da Cunha pode evitar a demissão e continuar na Polícia Civil de São Paulo, mantendo-se afastado do trabalho para cumprir mandato em Brasília.
- A gestão de Tarcísio de Freitas afirma que as decisões foram técnicas e não houve interferência política, negando acordo com aliados.
- Houve duas propostas de demissão ao longo dos anos: a primeira, em 2022, por suposta fake de prisão de chefe do PCC; a segunda, também em 2022, por ataques a superiores, com consequências menores após as avaliações.
- O governo não revela o desfecho dos PADs (Processos Administrativos Disciplinares) contra Da Cunha, citando sigilo, mas diz que decisões demissórias são publicadas no Diário Oficial.
- Da Cunha também é alvo de acusações de violência doméstica por ex-companheira, as quais ele nega, afirmando que o processo corre em segredo de Justiça.
O delegado Carlos Alberto da Cunha, deputado federal pelo União Brasil, pode escapar da demissão na Polícia Civil de São Paulo e manter o cargo. A cúpula da corporação chegou a propor a demissão por alegada fraude em prisão de um chefe do PCC e por xingamentos a superiores, mas a recomendação não foi confirmada pela gestão estadual.
Segundo apuração, a tendência é que Da Cunha sofra apenas uma suspensão temporária, resultado de articulações entre o Delegado Olim, ex-secretário Guilherme Derrite e o governador Tarcísio de Freitas, todos aliados. A defesa sustenta que as decisões foram técnicas e dentro da lei.
O caso envolve Processos Administrativos Disciplinares que tramitam com base na Corregedoria da polícia. A primeira demissão chegou a ser aprovada pelo Conselho da Polícia Civil, em 2022, após apuração de fraude ligada a uma prisão simulada de um chefão do PCC para gerar conteúdo. A informação levou ao recolhimento da arma do delegado.
Outro lado
A gestão Tarcísio afirma não ter havido interferência política. Em nota, o governo diz que os PADs foram instaurados, conduzidos e concluídos com respeito ao contraditório e à ampla defesa, dentro da lei. Não detalha qual foi a decisão final nem quem participou diretamente.
Da Cunha, por meio de assessoria, informou que não comentará sobre processos administrativos arquivados. O deputado está afastado das atividades policiais para cumprir mandato em Brasília; se não for reeleito, pode retornar à função.
Antes, em 2022, a segunda recomendação de demissão ocorreu após Da Cunha chamar chefes delegados de ratas e raposas em entrevista. Em seguida, houve ataques à imagem institucional nas redes sociais, levando ao afastamento das ruas e à apreensão da arma.
A Folha apurou que, em ambos os casos, a gestão estadual não atendeu às demissões. No primeiro, a pena foi reduzida para suspensão; no segundo, o policial teria sido absolvido. Detalhes finais permanecem sob sigilo pela Lei Orgânica da instituição.
O governo afirma manter a isonomia na análise de casos similares, independentemente de posição ou atuação política. Não há indicação pública de qual jogador político teria influenciado as decisões em favor de Da Cunha.
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