- Ministério Público analisa duas notícias-crime contra o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, por possível uso de buraco feito apenas para vídeo.
- Servidores do Saae afirmam que obra, realizada em 9 de abril no Jardim Leocádia, teve fim cenográfico; ordens de serviço seriam forjadas para justificar intervenção em rede de esgoto.
- Documentação fotográfica apresenta registros “antes” e “depois” idênticos ou feitos em local diferente, e em um caso há indicação de que o vazamento não seria responsabilidade do Saae.
- Administração nega irregularidades, diz que a vala foi aberta para manutenção de rede de esgoto, com troca de abraçadeira e recomposição do pavimento no mesmo dia, seguindo protocolos.
- Episódio ocorre em meio a questionamentos sobre Manga, que já foi afastado na Operação Copia e Cola e pode ter o cargo mantido pelo Supremo Tribunal Federal entre 1º e 11 de maio.
O Ministério Público de São Paulo analisa duas notícias-crime contra o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, por denúncias de servidores do Saae. Incluem suposto uso de obra apenas para servir de cenário a vídeo do chefe do Executivo. As informações são do g1.
Segundo relatos, equipes da autarquia e de empresas terceirizadas teriam sido mobilizadas em 9 de abril, no Jardim Leocádia, para abrir e fechar um buraco sem necessidade técnica. O vídeo de 19 segundos mostra Manga empurrando um personagem para dentro da vala com água escura, antes de divulgar ações de recapeamento.
Documentos internos indicam que ordens de serviço teriam sido criadas para justificar a intervenção, citando vazamento de água, afundamento do solo e manutenção de rede de esgoto. Servidores afirmam que não havia sinais desses problemas no local antes da obra, e imagens anteriores não mostram água ou esgoto exposto.
Denúncias e inconsistências
A documentação fotográfica anexada aos procedimentos apresenta registros de “antes” e “depois” idênticos, sem alterações visíveis, além de terem sido feitos em ponto diferente do cruzamento da vala. Em um caso, a anotação técnica indica que o vazamento não seria da responsabilidade do Saae.
Funcionários questionam a logística da operação, que mobilizou ao menos dez servidores de áreas diversas, com caminhões e serviços de pavimentação terceirizados. As denúncias chegaram ao Ministério Público, incluindo uma apresentada pelo vereador Raul Marcelo (PSOL).
Defesas e contexto institucional
A gestão municipal nega irregularidades. Em nota, a prefeitura afirma que a vala foi aberta pelo Saae para manutenção de rede de esgoto, com troca de uma abraçadeira danificada e recomposição do pavimento no mesmo dia, seguindo protocolos internos. Também sustenta que o registro pode referir-se a outra intervenção.
O caso ocorre em meio a um cenário político envolvendo o prefeito. Manga havia sido afastado por 145 dias na Operação Copia e Cola, que investiga contratos da saúde. O STF pode decidir, entre 1º e 11 de maio, pela continuidade ou não do afastamento.
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