- Seis meses após a Operação Contenção no Rio de Janeiro, considerada a mais letal do país, foram 122 mortos, incluindo cinco policiais.
- Um dos feridos, Douglas Christian de Almeida, 30, apresenta sequelas graves e afirma ser inocente; responde a processo com liberdade condicional.
- A Defensoria Pública diz não ter recebido as imagens da operação solicitadas à Polícia Civil; a PM não comentou o caso.
- A Secretaria de Segurança Pública afirma que a Contenção não se restringe aos Complexos da Penha e do Alemão e cita aprovação dos moradores na operação.
- O Ministério Público analisa horas de gravações das câmeras e investiga possíveis abusos; a Defensoria destaca dificuldade pela falta de imagens repassadas.
A operação que deixou 122 mortos no Rio de Janeiro completa seis meses sem respostas. A Defensoria Pública afirma não ter recebido imagens solicitadas à Polícia Civil, o que dificulta o andamento das investigações sobre o caso.
Douglas Christian de Almeida, 30, acordou do coma após 17 dias algemado, sem parte da mandíbula e com dois tiros de fuzil. Ele afirma ter sido alvejado durante a Operação Contenção, na Penha, e relata dificuldade de entender o que motivou a vigilância e as restrições de visitas.
Segundo dados oficiais, cinco das mortes foram de policiais. Almeida responde a processo por posse de moto clonada e tenta, com a defesa, a absolvição. Ele está em liberdade condicional com tornozeleira eletrônica e restrições de saída.
O caso envolve ainda troca de informações entre órgãos. Os agentes estavam com câmeras corporais descarregadas e apresentaram uma arma na delegacia, alegando que ela estava no carro dele. Almeida afirma que vídeos não comprovam arma apreendida.
Acompanhar investigações e impactos
A recuperação de Almeida incluiu cirurgia para reconstruir a mandíbula, com parte de osso retirada da perna. A alimentação permanece líquida; ele não consegue mastigar devido à ausência de dentes. O advogado Gil Santiago busca a absolvição dele e sustenta a inocência.
Moradores do Complexo da Penha e da Alemão relatam impactos duradouros da operação, incluindo dificuldades de acesso a escolas e serviços de saúde. Pesquisas associadas à operação mostraram alta aprovação entre moradores da região.
A Secretaria de Segurança Pública informou que a Contenção é uma iniciativa contínua e que a escolha da Penha e do Alemão se deu pela identificação do chamado QG do Comando Vermelho. O Ministério Público e a Defensoria Pública acompanham as ações.
A Promotoria analisa mais de 3.600 horas de gravações de câmeras e já recomendou medidas para reduzir riscos e a letalidade. O Gaesp trabalha para reconstruir o curso da operação com os registros disponíveis, buscando responsabilização.
A Defensoria Pública afirma que a Polícia Civil não repassou as imagens solicitadas, o que complica a avaliação de abusos, ameaças e impedimento de socorro. A Polícia Civil, por sua vez, diz ter enviado as imagens solicitadas à Promotoria e à Polícia Federal.
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