- Um em quatro brasileiros não está interessado nas eleições de outubro; o desinteresse é maior entre mulheres (28%) do que entre homens (18%), e no Nordeste (27%) versus Sul (18%).
- Entre quem ganha até um salário mínimo, 37% demonstram pouca ou nenhuma curiosidade; entre quem recebe mais de cinco salários mínimos, 9% não acompanham a disputa; a falta de atenção também varia com a escolaridade (31% entre ensino fundamental, 10% com diploma).
- Lula tem 33% de intenção de voto espontânea no primeiro turno e o senador Flávio Bolsonaro 26%; na votação estimulada, os números sobem para 41% e 36%, respectivamente, próximos de outros levantamentos.
- O desinteresse tende a favorecer a abstenção, com o eleitor de Lula e do PT apresentando maior indiferença; a abstenção tem subido nos últimos pleitos, chegando a 20,9% em 2022.
- Segundo a BTG Pactual/Nexus, apenas 5% dizem que provavelmente não votarão, o que faz do desinteresse um proxy utilizado para estimar o voto, dada a baixa propensão declarada à abstenção.
O desinteresse eleitoral entre brasileiros ainda é relevante, mesmo sendo pouco homogêneo. Dados da pesquisa BTG Pactual/Nexus apontam que, em média, 25% dos entrevistados não demonstram interesse nas eleições presidenciais de outubro. O comportamento não é linear e varia conforme o perfil do eleitor.
Esse desinteresse é maior entre mulheres (28%) do que entre homens (18%). Na região Nordeste, a diferença em relação ao Sul é de 9 pontos percentuais (27% vs. 18%). Segmentos de renda mais baixos também mostram maior desinteresse.
Perfil do desinteresse
Entre quem ganha até 1 salário mínimo, 37% declaram pouca curiosidade pela disputa. Já na faixa acima de cinco salários, apenas 9% não demonstram atenção. A escolaridade acompanha o padrão: 31% com ensino fundamental têm menos atenção, enquanto 10% com diploma não estão tão atentos. Religiao e idade apresentam variações menores.
No conjunto, a pesquisa aponta intenções de voto no primeiro turno: Lula tem 33% de espontânea, e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) 26%. Quando estimulados, os números sobem para 41% e 36%, respectivamente, acompanhando estimativas de outros levantamentos. O destaque é que eleitores de oposição costumam estar mais atentos ao processo.
Comportamento de participação
Apesar do desinteresse observado, o interesse pelas eleições de outubro permanece acima do registrado entre 2002 e 2018, ficando atrás apenas de 2022. Em abril a maio de anos eleitorais, o líder em Datafolha costuma apresentar percentuais de espontânea maiores.
Historicamente, o desinteresse tende a diminuir próximo ao pleito, mas não some. Nos últimos 24 anos, o padrão mostra que a abstenção concentra-se em faixas com maior propensão a votar em Lula ou Dilma, em anos específicos. Em 2018, Haddad não atingiu o mesmo nível de abstenção de eleições anteriores.
Abstenção e método de pesquisa
A abstenção no Brasil tem se mantido estável, em torno de 20% nas últimas disputas presidenciais, segundo a BTG Pactual/Nexus. A afirmação de que 5% não votariam demonstra um cenário em que a abstenção funciona como um componente relevante para a leitura do desinteresse.
Em contextos eleitorais com voto obrigatório, institutos costumam ponderar pela provável participação do eleitor registrando. No Brasil, a abordagem de desinteresse é vista como proxy para estimar cenários, dada a relativamente baixa autodeclaração de não comparecimento.
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