- Seis meses depois da operação Contenção no Rio, a PF afirma que levaria três anos para analisar os nove mil arquivos de vídeo da Polícia Militar, devido a dificuldades de acesso.
- A Secretaria de Segurança Pública do estado disse ter encaminhado todas as imagens solicitadas e se colocou à disposição para resolver o problema, desde que haja comunicação formal sobre o que impediu o acesso.
- O caso envolve a ADPF de número 635 no STF, com o relator ministro Alexandre de Moraes determinando que o estado envie à PF todas as gravações, inclusive as de exames cadavér, para uma nova perícia.
- A PF relatou inconsistências no material enviado pela Polícia Civil, incluindo problemas de download dos vídeos, pois a plataforma permitia apenas reprodução direta.
- A Polícia Militar enviou 4.500 horas de gravação, em 9.025 arquivos de vídeo de 504 câmeras; a PF pediu envio em mídia física com os trechos de interesse indicados, visto o tamanho do material, enquanto o INCriminalística ganhará reforço de dois peritos e estima concluir a etapa em três meses.
A perícia de vídeos relacionada à operação Contenção, no Rio de Janeiro, permanece travada seis meses após a ação que resultou em 122 mortes. A disputa envolve a Polícia Federal e as polícias estaduais, com o STF no centro do impasse.
Desde fevereiro, a PF aponta dificuldades de acesso aos arquivos. Em ofício recente, a entidade afirmou que levaria cerca de três anos para analisar mais de 9.000 arquivos de vídeo da Polícia Militar. A Secretaria de Segurança Pública do Rio disse ter encaminhado todas as imagens solicitadas à PF e se mostrou disponível para resolver eventual problema, desde que haja comunicação formal sobre as dificuldades.
Contexto jurídico e técnico
A discussão está vinculada à ADPF 635, ação do STF sobre regras para a segurança pública no Rio. O relator, ministro Alexandre de Moraes, determinou em fevereiro que o estado enviasse à PF todas as gravações da Contenção, inclusive as que envolvem exames cadavér, para nova perícia.
Em fevereiro, a PF informou inconsistências no material enviado pela Polícia Civil, acusando dificuldades de download dos vídeos, já que a plataforma permitia apenas reprodução. O material da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) da Civil envolve 945 vídeos, totalizando 400 horas.
Ainda não houve envio completo das imagens das câmeras da Polícia Militar, que compõem a maioria dos agentes da operação. A PF afirma que, após o envio PM, o total de horas de gravação sobe para aproximadamente 4.500, o que ampliaria o prazo para três anos, dependendo da disponibilidade de peritos.
Desafios práticos e próximos passos
A PF informa que 9.025 arquivos de vídeo da PM estão sob análise, provenientes de 504 câmeras. Embora o link enviado permita o download, ele funciona de forma individual, o que dificulta a extração de conjuntos de arquivos para preservação. A PF pediu que o STF determine o envio das gravações em mídia física e a indicação objetiva dos trechos de interesse.
Em relação aos laudos periciais, a PF também apontou inconsistências em HDs externos e no material de exames cadavéricos. O Instituto Nacional de Criminalística terá o reforço de dois peritos, elevando o contingente para realizar a etapa. A PF estima concluir essa parte em até três meses, dependendo da complexidade dos conteúdos.
Entre na conversa da comunidade