- Iona Macdonald, formada em química pela Universidade de Aberdeen, teve a carreira no petróleo e gás encerrada após ser demitida há dois anos e hoje trabalha em um pub em Glasgow, sem usar suas habilidades.
- Ela e muitos colegas relatam dificuldade em conseguir empregos no setor de energias renováveis, mesmo tentando a transição.
- A produção no Mar do Norte atingiu o pico em 1999, em quatro milhões e quinhentos mil barris de óleo equivalente por dia, e em 2024 ficou pouco acima de um milhão.
- O mercado de trabalho em óleo e gás encolheu entre 2010 e 2020, com queda de cerca de setenta mil a cento e quinze mil empregos; em contrapartida, houve criação de apenas trinta e nove mil postos em renováveis.
- O debate político envolve a transição justa, investimentos na rede e no grid, e o papel de petróleo, gás e renováveis, com metas como net zero para 2045 e controvérsias entre partidos sobre novas concessões e estratégia energética.
A jornalista Iona Macdonald formou-se em química na Universidade de Aberdeen em 2000 e ingressou no setor de petróleo e gás, onde construiu boa parte de sua carreira. Após 25 anos na área, foi desligada há dois anos e não conseguiu novamente estabelecer-se no setor de energias renováveis. Hoje trabalha em um pub de Glasgow, recebendo salário mínimo, e relata que muitos colegas enfrentaram trajetórias semelhantes, deixando de exercer habilidades técnicas.
A mudança para as renováveis tem sido tema central entre políticos, com promessas de uma transição justa que preserve empregos. O governo britânico defende uma transição equilibrada, baseada em ciência, mas trabalhadores da indústria relatam dificuldades para migrar para o setor de energia limpa. A visão de Iona é de que a transição não ocorreu de forma igualitária para todos os profissionais.
A história de Aberdeen, tradicional bairro da energia, ilustra o contraste entre o auge do petróleo e o atual estágio de renováveis. A produção da bacia do Mar do Norte atingiu seu pico em 1999, enquanto, em 2024, ficou em torno de 1 milhão de barris de óleo equivalente por dia, em condições de maturidade e declínio. Hoje, os empregos em renováveis são bem menos numerosos, segundo estimativas regionais.
Diversas análises apontam desequilíbrios na transição. Dados de especialistas indicam queda acentuada na força de trabalho em óleo e gás na última década, com criação de menos postos em renováveis. A tributação e a instabilidade fiscal são citadas como fatores que freiam investimentos no eldorado energético, levando parte do capital para mercados estrangeiros, como a Noruega.
No debate político, diferentes partidos defendem caminhos distintos para a transição. A ideia de “net zero” permanece em pauta no SNP e no Labour escocês, com visões que variam entre ampliar renováveis e manter parte da produção fóssil por décadas. A oposição conservadora defende uma transição que seja justa e acessível, sem fechar rapidamente os recursos fósseis.
A comparação com a Noruega é citada como referência por quem defende maior intervenção estatal na renda do petróleo. Enquanto Oslo investe os ganhos da produção em um dos maiores fundos soberanos do mundo, o Reino Unido concentra investimentos privados e enfrenta pressões para acelerar a eletrificação e a diversificação energética. O debate continua aberto sobre como equilibrar segurança energética, emprego e metas climáticas.
O impacto social da transição também é tema sensível. O fechamento da refinaria de Grangemouth, em 2025, e a parada da produção na Mossmorran em 2026, trouxeram perdas de milhares de empregos na cadeia de suprimentos. Verificam-se impactos econômicos locais significativos, que alimentam a demanda por políticas de transição mais eficazes na região.
Para trabalhadores como Iona, a transformação permanece incompleta. Ela defende uma aceleração da mudança de mix energético, com uso de alternativas limpas e redução gradual da dependência de recursos finitos. O caso ilustra os desafios práticos de converter talentos técnicos para uma economia mais verde, sem prejudicar comunidades já estabelecidas.
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