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MP do Pará planeja tornar 78 comarcas inacessíveis para custear verba extra

MP do Pará propõe 78 comarcas de difícil provimento para conceder adicional de até quinze por cento a promotores, gerando impasse no plenário

Ministério Público do Pará. Foto: Google Street View/Reprodução
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  • MP do Pará tentou, em 30 de agosto, aprovar resolução que transforma 78 comarcas em locais de “difícil provimento”, garantindo verba extra aos promotores.
  • O adicional proposto é de quinze por cento sobre o salário, com exemplo de um promotor iniciante recebendo cerca de cinco mil trezentos reais a mais, igualando-o ao topo de carreira.
  • A proposta não foi efetivada após pedido de vista do procurador João Gualberto, que citou incongruências e o poder do procurador-geral de Justiça para fixar valores; votação deve retornar em um mês.
  • A Associação do Ministério Público do Pará informou pesar pela suspensão, dizendo que a medida é necessária frente a decisão do Supremo Tribunal Federal que limitou penduricalhos.
  • Para ser enquadrada, a comarca precisa atender, ao menos, dois dos seis critérios de dificuldade, como baixo índice de desenvolvimento humano, população abaixo de 30 mil e distância superior a 400 quilômetros de Belém.

O Ministério Público do Pará tentou, nesta quinta-feira, 30, aprovar no Conselho Superior uma medida para transformar 78 comarcas em locais de difícil provimento. A mudança prevê pagar aos promotores uma verba extra, conforme critério a ser fixado pelo procurador-geral de Justiça. A motivação apresentada envolve enfrentar efeitos da decisão do STF que limitou penduricalhos.

Atualmente, o valor adicional proposto é de 15% sobre o salário dos promotores. Se aprovada, a medida elevaria o vencimento de um promotor em início de carreira, hoje em torno de R$ 35,8 mil, para cerca de R$ 41,8 mil, equiparando-o ao nível mais alto da carreira.

A Procuradoria-Geral de Justiça do Estado não se manifestou até o momento. O espaço permanece aberto para esclarecimentos oficiais.

Entenda os critérios e o conflito

A proposta só não avançou porque o procurador João Gualberto pediu vista, suscitando questionamentos. Ele apontou incongruências, como o momento financeiro difícil do MPPA e a possibilidade de o procurador-geral fixar o valor individualmente para cada promotor em comarcas de difícil provimento.

A Associação do Ministério Público do Pará (AMPEP) criticou a suspensão, dizendo que a medida é urgente e pode ficar sem efeito enquanto há atraso. A nota da associação enfatiza a necessidade de enfrentar os impactos da decisão do STF sobre penduricalhos. Ana Maria Magalhães de Carvalho, assessora de Tourinho, preside a AMPEP.

O texto da proposta estabelece seis critérios para classificar uma unidade como de difícil provimento, exigindo ao menos dois para que haja o pagamento adicional. Entre eles, comarca com baixo IDH, população inferior a 30 mil habitantes e distância superior a 400 quilômetros da capital Belém. Municípios citados no material incluem Peixe-Boi, Nova Timboteua e Santa Luzia do Pará, situados entre 120 e 205 quilômetros de Belém.

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