- O trem de alta velocidade da Califórnia, assinado em 2008, ainda não tem trilhos instalados; os primeiros trilhos devem ser colocados neste ano.
- O custo total do projeto é de US$ 126,3 bilhões, com financiamento inicial de US$ 10 bilhões assegurado em 2008 pelo então governador Arnold Schwarzenegger.
- Em dezoito anos, foram concluídos 130 quilômetros de viadutos elevados liberados para receber trilhos, o que corresponde a 15,5% do percurso total de 840 quilômetros.
- Os atrasos devem-se a entraves regulatórios, dificuldades de financiamento, pressões dos setores aéreo e rodoviário e negociações para aquisição de terras ao longo do traçado; em 2019 houve uso de áreas agrícolas pela estatal responsável.
- Em contraste com os Estados Unidos, a China avançou com milhares de quilômetros de ferrovias de alta velocidade, beneficiada por sistemas de aquisição de terras coletivas que facilitam a expansão.
O projeto de trem de alta velocidade para ligar Los Angeles a San Francisco segue sem avança significativa desde 2008, quando o then governador Arnold Schwarzenegger assegurou o primeiro financiamento de US$ 10 bilhões. A ideia é ligar as duas maiores cidades da Califórnia em menos de 3 horas. A obra ainda não tem trilhos instalados.
O custo total do empreendimento, segundo o plano de negócios divulgado em março de 2026, é de US$ 126,3 bilhões. Ao longo de 18 anos, foram concluídos apenas 130 km de viadutos elevados prontos para receber trilhos, o que representa 15,5% do trajeto total de 840 km.
Diversos entraves ajudam a explicar a lentidão. Regulamentação complexa, dificuldades de financiamento e pressão de setores aéreos e rodoviários pesam contra o projeto. A negociação com proprietários de terras também retarda o andamento da obra.
Clima político
O financiamento do projeto depende de recursos federais, o que complica o ritmo de execução. A Califórnia tem governança democrata desde 2011, enquanto o período de governo de Donald Trump, crítico a gestões locais, ocorreu de 2017 a 2021 e 2025 a 2026.
A disputa entre visões nacionais sobre grandes obras também influencia o cronograma. A escalada de gastos federais para diversos setores dificulta manter o foco exclusivo no trem de alta velocidade.
EUA x China
A evolução do projeto californiano evidencia as dificuldades dos EUA em executar trens de alta velocidade, especialmente frente à China. Em 2008 a China iniciava Beijing–Shanghai, com pouco mais de 1.000 km, funcionando comercialmente em 2011.
Enquanto os EUA enfrentam entraves regulatórios e de terras, a China já construiu cerca de 50.000 km de ferrovias de alta velocidade. A justificativa comum é a diferença na aquisição de terras, onde a China utiliza áreas rurais coletivas para acelerar obras.
A referência histórica destaca que a linha chinesa avançou rapidamente desde o início, em contraste com a evolução mais lenta na Califórnia, marcada por negociações com proprietários e apropriações de terrenos maiores do que o necessário.
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