- O primeiro-ministro afirmou que pode haver casos para proibir alguns protestos, além de defender o direito de protestar.
- Disse que é preciso considerar o efeito cumulativo das marchas sobre a comunidade judaica e sinalizou a possibilidade de interromper algumas manifestações.
- Um ataque em Golders Green, no norte de Londres, deixou dois homens judeus feridos; a polícia classifica o episódio como incidente terrorista.
- Jonathan Hall pediu uma moratória às marchas pró-Palestina; diversos grupos têm opiniões diferentes sobre restringir liberdades públicas.
- O governo anunciou aumento da segurança e de recursos para proteger comunidades judaicas, enquanto a revisão da legislação de ordem pública e crimes de ódio não havia sido publicada.
O primeiro-ministro Keir Starmer revelou que pode haver casos para proibir algumas protestos, após pedidos de suspensão de marchas pró-Palestina. Em entrevista à BBC Radio 4, ele disse que há situações em que a proibição é justificada, além de defender a liberdade de manifestação.
Starmer afirmou que apoiará o direito de protestar, mas ponderou sobre o efeito cumulativo de várias passeatas sobre a comunidade judaica. O comentário ocorreu após dois homens judeus terem sido esfaqueados em Golders Green, no norte de Londres, na quarta-feira, episódio considerado pela polícia como ataque terrorista.
O governo encomendou, no ano passado, uma revisão da legislação de ordem pública e de crimes de ódio. O objetivo é avaliar medidas de controle em protestos; o relatório, previsto para fevereiro, ainda não foi publicado.
Moratória e cobranças
Nesta semana, Jonathan Hall, avaliador independente da legislação antiterrorismo, pediu moratória temporária às marchas pró-Palestina, argumentando que os atos promovem linguagem antissemita ou demonizante. O Rabino-Cera Ephraim Mirvis também solicitou a suspensão temporária após o ataque em Golders Green.
Starmer disse que é preciso analisar o conjunto de protestos e o efeito acumulado. Ao ser questionado se algumas manifestações devem ser interrompidas, o premiê afirmou que é necessário explorar mais poderes. Sobre o vínculo entre protestos e ataques, reforçou defesa da liberdade de expressão, desde que haja distanciamento de violência ou discurso de ódio.
Helicópteros de segurança e respostas policiais tiveram reforço em áreas com manifestações. Bancos e agências têm aval para restringir rotas de protesto ou determinar horários, em circunstâncias específicas, com aval do Ministério do Interior. A prática é pouco usada.
Contexto e críticas
Grupos, como Stop the War Coalition, criticaram a ligação entre protestos e violência contra judeus, reiterando a condenação de todas as formas de antissemismo. Outros atores políticos, como Green Party e Your Party, defendem manter liberdades civis, enquanto o governo de coalizão chama atenção para a necessidade de segurança pública.
Em Golders Green, agentes reforçaram a presença policial após o ataque. O governo anunciou aumento de recursos para proteger comunidades judaicas, além de uma revisão contínua das políticas de segurança pública e de combate ao discurso de ódio.
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