- O secretário de Defesa, Pete Hegseth, ordenou a saída ou aposentadoria compulsória de 24 generais e oficiais superiores desde fevereiro do ano passado, sem justificativa de desempenho.
- Cerca de 60% das demissões foram de pessoas negras ou mulheres, apontando para um envio de profissionais alinhados à agenda de DEI (diversidade, equidade e inclusão).
- Entre as vítimas estão o general CQ Brown (ex-presidente do Estado-M maior do chefe das forças conjuntas) e a almirante Lisa Franchetti (ex-chefe de operações navais), além do chefe do Estado-M Maior do Exército, Randy George.
- Hegseth nega ter seguido instruções para demitir alvos por raça ou gênero, mas critica o foco em altura, “engenharia social” e identidade na liderança.
- Analistas veem as demissões como parte de um plano mais amplo do Projecto 2025, ligado à Heritage Foundation, para criar forças armadas ideologicamente alinhadas ao presidente e ao secretário de Defesa, o que levanta preocupações sobre coesão e resposta a ordens do alto escalão.
O Pentágono vive uma crise de confiança após uma rodada de demissões que afetou 24 generais e oficiais seniores desde a retomada de Donald Trump ao cargo. A deficiência de justificativas relacionadas ao desempenho tem ampliado a sensação de desordem entre a alta cúpula.
Fontes internas descrevem o secretário de Defesa, Pete Hegseth, como cada vez mais isolado na estrutura burocrática, cercado por um grupo próximo de aliados. As demissões atingiram oficiais com reputação ilibada, incluindo mulheres e negros, conforme críticas às políticas de DEI da administração.
O momento marcou um rompimento com a prática de entrevistas institucionais entre o comando militar e a liderança civil, em meio a um conjunto de substituições que começou em fevereiro do ano passado. A mudança levou Dan Caine ao cargo de chairman, após a saída de CQ Brown.
Mudanças e perfis no comando
Entre os nomes removidos estavam Lisa Franchetti, primeira mulher a liderar a Marinha em tempo integral, e Randy George, chefe do Exército. A decisão de excluir outros oficiais ocorreu sem divulgação de desempenho insatisfatório.
Hegseth enfrentou questionamentos no Senado sobre a motivação das demissões. Em resposta, o secretário afirmou que não houve direcionamento com base em raça ou gênero, destacando foco em políticas administrativas anteriores.
Segundo relatos, a equipe do secretário inclui familiares e aliados próximos, enquanto a gestão cotidiana é conduzida pelo vice-secretário Steven Feinberg, figura ligada ao setor privado. A estrutura reforça a percepção de concentração de poder.
Contexto estratégico e repercussões
Analistas ligados a projetos conservadores apontam que as ações dialogam com o Projeto 2025, promovido por institutos de linha conservadora e influente no segundo mandato de Trump. A leitura é de alinhamento com uma visão de força militar sob controle político.
Especialistas destacam riscos para a coesão das Forças Armadas, citando impactos na ética, na moral e na prontidão operacional. Observadores lembram casos históricos de tensões civis-militares como fatores que podem frear decisões estratégicas.
O enfoque em mudanças de liderança ocorre em meio a declarações do presidente sobre ações fortes contra adversários, o que aumenta a necessidade de uma resposta institucional estável. Autores consultados veem a situação como um teste à independência profissional no alto escalão.
Perspectivas e próximos passos
A comunidade militar acompanha a evolução da relação entre o Executivo e o Comando Conjunto. Juristas e especialistas em defesa avaliam se novas regras de comando poderão fortalecer freios a ordens consideradas ilegais.
Relatos indicam que a maneira como as mudanças são implementadas pode influenciar a confiança de oficiais de carreira e a disciplina operacional. O debate público destaca a importância de manter a cadeia de comando em equilíbrio com a responsabilidade civil.
Aram Roston colaborou na apuração.
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