- Relatórios dizem que autoridades de saúde da administração Trump disseminaram desinformação sobre autismo e vacinas, criando uma “crise de confiança pública” e levando a chamadas por audiências de supervisão no Congresso.
- O documento aponta ações como cortes de orçamento, demissões e remoção de avisos sobre tratamentos anticonvencionais para autismo, além de reduzir pesquisas na área e eliminar advertências no site da Food and Drug Administration (FDA).
- Houve tentativas de ligar autismo ao uso de acetaminofeno durante a gravidez e a promoção de leucovorin como tratamento para autismo, mesmo com evidências recentes contrárias.
- A primeira reunião do Interagency Autism Coordinating Committee (IACC) foi adiada em março e remarcada para a mesma data da divulgação do relatório, gerando críticas de defensores.
- Defensores pedem que o Congresso realize audiências de supervisão e considerem a imediata destituição de Robert F. Kennedy Jr., secretário do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), caso haja comprovada negligência.
O estudo divulgado por organizações dedicadas à defesa dos direitos de pessoas com autismo aponta que autoridades de saúde da gestão Trump teriam alimentado uma crise de confiança pública ao tratar de autismo e vacinas. O relatório sugere que decisões e comunicados de alto nível contribuíram para desinformação, incluindo a tentativa de associar o autismo ao uso de acetaminofeno durante a gravidez e a substituição da maioria dos membros do comitê federal de autismo por conselheiros com posições céticas sobre vacinas.
Segundo o documento, mudanças na atuação do Departamento de Saúde e Serviços de Alimentação (HHS) no primeiro ano da segunda gestão Trump impactaram diretamente a missão de saúde pública e o funcionamento de órgãos ligados ao autismo. Entre as medidas, há cortes de orçamento, redução de pessoal, demissões e diminuição de financiamentos para pesquisas sobre o tema, além de remoção de avisos sobre tratamentos potencialmente inseguros no site da FDA. Organizações de defesa destacam que tais ações prejudicam a transparência e a confiabilidade das informações.
A reportagem aponta ainda que houve remanejamento de figuras-chave, incluindo o secretário do HHS, Robert F. Kennedy Jr., e falas públicas que, segundo críticos, perpetuam narrativas desfavoráveis à vacinação e às abordagens baseadas em evidências. Em abril, mês de conscientização do autismo, observou-se aparente retração na publicidade de medidas consideradas polêmicas, em meio a críticas de especialistas sobre o impacto dessas decisões.
O relatório traz um cronograma das ações do HHS durante o primeiro ano da gestão, ressaltando que mudanças vieram acompanhadas de cortes orçamentários e de redução de equipes. Defensores do autismo afirmam que o conjunto de medidas dificulta o acesso a informações confiáveis e desestimula estratégias de enfrentamento baseadas em evidências. O grupo ASAN e a AAPD defendem a necessidade de comissões independentes para supervisionar políticas públicas.
Conforme as organizações, a monitorização contínua dessas ações deve ocorrer de forma imediata, para que comunidades, governos locais e autoridades administrativas possam contestar decisões que afetem o cuidado e a saúde de pessoas autistas. A FDA continua com planos de atualizar rótulos de acetaminofeno para refletir exposições pré-natais, conforme comunicado oficial, mas sem associar o medicamento ao autismo.
Especialistas reforçam a importância de transparência e responsabilização. Em entrevistas, líderes de advocacy apontam que audiências de supervisão no Congresso seriam instrumentos adequados para esclarecer condutas, avaliar impactos e assegurar políticas de saúde baseadas em evidências.
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