- O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, discursou no 22º Congresso Nacional da Magistratura do Trabalho (Conamat) em Brasília, na sexta-feira, 1.
- Em seu discurso, ele comparou juízes trabalhistas a cores, dizendo que não há “azuis” nem “vermelhos”, e que há interesses e causas; a fala foi recebida com aplausos pela plateia.
- Mello Filho afirmou que a Justiça do Trabalho não é um empecilho ao desenvolvimento socioeconômico, chamou esse ponto de terraplanismo jurídico e defendeu sindicatos e o combate à pejotização.
- O Conamat discutiu impactos da inteligência artificial, trabalho protegido, precarização e transformação tecnológica, com mais de trezentos participantes e aprovação de teses.
- O presidente do TST informou que assumiu o cargo em setembro do ano passado e reforçou o papel da instituição na defesa da Constituição, do acesso à justiça e das pessoas vulneráveis.
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, dividiu juízes trabalhistas em categorias de cores durante discurso de encerramento do 22º Congresso Nacional da Magistratura do Trabalho (Conamat), em Brasília. A declaração gerou repercussão nas redes sociais, associando as cores a posições políticas no país.
Mello Filho discursou no Conamat, evento que discutiu o tema Justiça do Trabalho independente em um mundo em transição, com foco em sustentabilidade, inteligência artificial e trabalho protegido. O encontro reuniu mais de 300 participantes para debater impactos da IA nas relações de trabalho e aprovar teses.
Vídeos que circularam nas redes sociais mostram o trecho final do pronunciamento, no qual o presidente do TST se autointitulou entre os “vermelhos” a serviço de uma causa. A íntegra do discurso foi disponibilizada à imprensa, que pediu posicionamento da assessoria da presidência do tribunal.
O tom do discurso abordou críticas aos que veem a Justiça do Trabalho como entrave ao desenvolvimento econômico. Mello Filho acusou o que chamou de terraplanismo jurídico e defendeu a atuação dos sindicatos, além de criticar a pejotização, classificada como fraude por reduzir direitos.
Em seguida, o presidente reforçou que não há cores no Judiciário, mas interesses e causas. Segundo ele, há pessoas com uma causa — a defesa institucional e de vulneráveis — e outras que teriam interesses diferentes, o que gerou aplausos da plateia.
A fala ganhou contornos de defesa da instituição e da proteção a trabalhadores vulneráveis, segundo relatos das pessoas presentes. Ele afirmou que a Constituição e seus poderes sustentam esse papel, reforçando o compromisso com a defesa de direitos fundamentais.
O Conamat trouxe também debates sobre trabalho protegido, precarização, informalidade e efeitos da tecnologia nas relações de trabalho. Outros painéis abordaram a crise climática e seus impactos diretos no mundo do trabalho.
Mello Filho assumiu a presidência do TST em setembro do ano passado. Em discurso de posse, ele criticou mudanças na legislação trabalhista promovidas por governos anteriores, destacando a importância de preservar o acesso à Justiça do Trabalho e a atuação da Constituição como norte do país.
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