- O projeto de marco legal dos minerais críticos (PL 2780/2024) propõe regular a exploração no Brasil e criar um Conselho Especial vinculado à Presidência para centralizar decisões, priorizações e incentivos fiscais bilionários.
- O Conselho terá quinze membros, including representantes do poder público e uma cota de dois representantes do setor privado, com poder de vetar fusões, aquisições e acordos envolvendo mineradoras.
- A proposta prevê aprovação prévia para contratos e parcerias internacionais que envolvam minerais críticos, além de ampliar a intervenção estatal em decisões empresariais do setor.
- Observa-se interesse de investidores internacionais em terras raras brasileiras, enquanto a medida coincide com questionamentos sobre a compra da Serra Verde pela US Rare Earths e possível intervenção estatal.
- Críticas apontam que a regulamentação pode tornar o setor excessivamente estatal e desestimular investimentos, deixando o Brasil com soberania sem desenvolver a indústria de minerais críticos.
O projeto de lei 2780/2024, que prevê a regulação da exploração de minerais críticos no Brasil, ganhou destaque no Congresso. A proposta, sob relatoria do deputado Arnaldo Jardim, busca criar regras para o setor e ampliar a intervenção do Estado nas decisões empresariais.
O texto atual propõe a criação de um “Conselho Especial” ligado à Presidência para centralizar decisões, priorizar projetos e gerenciar incentivos fiscais. O colegiado teria 15 membros, incluindo representantes do setor público, do Executivo e duas vagas para o setor privado.
A ideia é permitir que o governo intervenha de forma discricionária em fusões, aquisições e contratos no setor, com aprovação prévia. O objetivo declarado é alinhar o desenvolvimento de minerais críticos à defesa econômica do país.
Contexto e pontos críticos
A proposta não prevê a criação da TerraBrás, estatal sugerida pelo PT, mas avançaria com uma estatização de fato do setor. Além disso, o Conselho poderia vetar operações estratégicas e exigir anuência em acordos internacionais de fornecimento.
O marco legal enfrenta resistência de grupos que enxergam risco de frear investimentos estrangeiros. Investidores têm interesse em desenvolver cadeia local de processamento de terras raras, com atrativos que o texto pode restringir.
A maior parte das críticas aponta para a centralização do poder decisório. Também há questionamentos sobre critérios objetivos para aprovar ou rejeitar contratos e operações comuns no setor, como off-takes e M&As.
Implicações econômicas
Analistas destacam que o Brasil concorre com outros países na corrida por minerais críticos, com importância econômica expressiva, porém ainda menor do que a dos grandes setores de commodities. Perder atratividade pode atrasar a modernização industrial.
O texto enfatiza o uso de incentivos para beneficiar indústrias locais, como painéis solares e baterias. Mesmo assim, críticos afirmam que isenções fiscais isoladas não garantem competitividade sem clareza regulatória.
A redação menciona repetidamente a soberania, defesa e interesse nacional. Escritório público e setor privado são chamados a conciliar objetivos econômicos com controle estatal, em meio a uma complexa disputa global por minerais críticos.
Desdobramentos esperados
Com a tramitação à frente, o Congresso deverá analisar impactos de governança, risco regulatório e atratividade para investidores estrangeiros. A avaliação de propostas de investimentos e parcerias internacionais permanece em debate.
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