- O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso pela Polícia Federal na quarta fase da operação Unha e Carne, suspeito de liderar um esquema de fraude em licitações para obras em escolas públicas do Rio de Janeiro.
- Verbas desviadas teriam sido usadas para beneficiar empresas de laranjas e pessoas ligadas a Rangel, com o uso de influência política junto à Secretaria estadual de Educação.
- Cerca de R$ 2,9 milhões teriam sido usados para caixa dois na campanha da filha de Rangel, Thamires Rangel (vereadora em Campos dos Goytacazes), e de outros aliados na eleição municipal de 2024.
- A ação também envolve o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, e o ex-chefe de gabinete Rui Bulhões; prisões foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
- Mensagens interceptadas mostram Rangel afirmando ter influência sobre indicações de cargos e controlando decisões na regional de educação; defesa afirma que o deputado é vítima.
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso nesta terça-feira pela Polícia Federal durante a quarta fase da operação Unha e Carne. A investigação aponta um esquema de fraude em licitações na Secretaria estadual de Educação do Rio de Janeiro, com desvio de recursos para financiar campanhas. A ação também resultou na prisão de outros seis investigados, incluindo o ex-chefe de gabinete de Rodrigo Bacellar, Rui Bulhões.
Segundo a PF, Rangel utilizava a influência política e a proximidade com Bacellar para direcionar contratações favorecendo empresas de laranjas e aliados, em obras de escolas estaduais. As verbas desviadas seriam usadas para financiar campanhas, incluindo a da filha do deputado, Thamires Rangel, vereadora em Campos dos Goytacazes, em 2024.
Ao todo, foram apreendidos recursos e documentos ligados ao esquema. A PF aponta que cerca de R$ 2,9 milhões teriam sido usados para o chamado caixa 2, com suposto apoio financeiro externo ao conhecimento da Justiça Eleitoral. A ação envolve ainda aliados na eleição municipal de 2024.
Investigações e mensagens interceptadas
A investigação indica que o parlamentar indicava cargos públicos na regional Noroeste do Rio e orientava equipes para facilitar fraudes nas licitações da Seeduc. Em mensagens, Rangel afirma que a indicação era dele e que não precisava dar satisfação a terceiros. Júcia Figueiredo, diretora regional de educação, também foi presa.
Durante a apuração, a PF localizou diálogos que sugerem uso de repostas intimidatórias contra críticos políticos. Em mensagens, o deputado menciona reposta a críticas nas redes sociais e discute planos para enfrentar adversários. Um ex-assessor da operação também está preso.
Contexto institucional e próximos passos
A apuração se referencia a ações anteriores da PF, incluindo o inquérito que originou a operação Postos de Midas, em 2024. A PF informou que a investigação envolve forte influência de ex-autoridades da Alerj e de gestores estaduais, com indícios de participação de diversos membros da base política de Rangel.
A defesa de Rangel informou que o deputado está surpreso com a prisão e negou as acusações. A Alerj afirmou que está à disposição das autoridades. A Secretaria de Educação não se manifestou até o momento.
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