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Mensagens indicam que deputado preso no Rio favoreceu nomeações para traficante

PF aponta que deputado Thiago Rangel loteou duas vagas na educação para indicar o traficante Júnior do Beco; prisão decretada por Alexandre de Moraes

O deputado estadual Thiago Rangel (Facebook/Reprodução)
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  • A Polícia Federal aponta que o deputado Thiago Rangel ofereceu duas vagas de auxiliar de serviços gerais na educação a Arídio Machado da Silva Júnior, o “Júnior do Beco”, para que ele fizesse indicações.
  • Júnior do Beco é descrito pela PF como indivíduo de alta periculosidade com ficha criminal, incluindo homicídio e tráfico de drogas.
  • O gabinete do deputado intermediarou as indicações; o chefe de gabinete, Fábio Pourbaix Azevedo, foi preso na nova fase da Operação Unha e Carne.
  • Em 23 de junho de 2021, Rangel enviou ao assessor o contato de Júnior do Beco e informou ter oito vagas de ASG, duas para a cota do criminoso; o traficante repassou nomes e houve ajustes posteriores.
  • A PF citou as conversas para ilustrar a periculosidade do parlamentar; a prisão foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, com aval da PGR, e a Alerj se colocou à disposição para colaborar.

A Polícia Federal prendeu o deputado estadual Thiago Rangel, do Avante do Rio de Janeiro, em operação ligada a suspeitas de fraude na educação. A investigação aponta que ele loteou duas vagas de auxiliares de serviços gerais (ASG) em órgãos públicos da educação para beneficiar um traficante com atuação no estado.

A PF identificou uma relação do deputado com Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como Júnior do Beco, condenado por homicídio e tráfico. Segundo o inquérito, Rangel ofereceu as vagas para que Júnior do Beco fizesse indicações, usando o cargo público para favorecer o criminoso.

A apuração foi alimentada por mensagens entre Thiago Rangel e o chefe de gabinete, Fábio Pourbaix Azevedo, preso na mesma ação. O relatório descreve Pourbaix como operador de fraudes e braço direito do parlamentar.

Em trechos de mensagens, datadas de 2021, o deputado é instado a buscar o contato de Júnior do Beco para completar uma lista de indicações. Rangel afirma ter oito vagas disponíveis e sinaliza que duas seriam destinadas ao traficante.

A PF aponta que o chefe de gabinete manteve o contato com Júnior do Beco, que enviou ao assessor dois nomes para as vagas, além de pedir mais uma para a irmã dele. Posteriormente, o traficante recuou de uma indicação e mudou a destinação de uma vaga.

Conforme o relatório, as vagas foram ocupadas por Gleice Maria Batista da Silva, irmã do traficante, e por Ildilene Rangel, mulher de um investigado ligado a operações antigas de tráfico. Ações anteriores da PF já tinham visado um esquema de fraude ligado a Campos dos Goytacazes.

Entre as mensagens repercutidas, há relatos de ameaças e planos de ataque divulgados pela dupla. Em setembro de 2021, o deputado fala em tomar medidas contra críticas recebidas no Facebook, enquanto em janeiro de 2022 discutem possíveis atos contra alguém.

A decisão de prisão preventiva foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, com base em pedido da PF e aval da Procuradoria-Geral da República. Moraes justificou a medida para resguardar a ordem pública e a instrução criminal.

A Alerj afirmou que está disponível para colaborar com as investigações e reforçou o compromisso com a transparência. O deputado Thiago Rangel não se pronunciou até o momento.

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