- A Polícia Federal prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) na manhã de terça-feira, 5, em operação chamada Unha e Carne, que investiga fraudes em serviços públicos no Rio de Janeiro.
- Documentos da decisão do ministro Alexandre de Moraes indicam mensagens de Rangel com aliados falando em ações violentas e de intimidação contra adversários, incluindo referências a “uma surpresa” e tiros.
- A investigação aponta indícios de organização criminosa estruturada com prática de peculato, corrupção ativa e corrupção passiva, além de um modus operandi com divisão de tarefas e uso de cargos públicos para facilitar delitos.
- Há apontamentos de direcionamento de contratações de escolas estaduais da Diretoria Regional Noroeste da Secretaria de Estado de Educação (Seeduc) para empresas ligadas ao grupo, com desvios misturados a recursos lícitos em rede de postos de combustível.
- A Alerj informou disposição para colaborar com as investigações; a Seeduc anunciou revisão de procedimentos e teto de 130 mil para manutenções, com obras acima do valor direcionadas à Empresa de Obras Públicas (Emop-RJ). A defesa de Rangel disse ter ficado surpresa com a operação.
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso no Rio de Janeiro na manhã desta terça-feira, 5, durante a operação Unha e Carne, destinada a desarticular fraudes em serviços públicos. A ação também levou à detenção de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, segundo a decisão do STF.
A investigação, conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, aponta mensagens entre Rangel e aliados que mencionam violência e intimidação contra adversários. A decisão do ministro Alexandre de Moraes cita indícios de organização criminosa atuando de forma estruturada, com uso de cargos públicos para facilitar delitos como peculato e corrupção.
Conforme os documentos, o grupo teria um modo de operar com divisão de tarefas e repetição de ilícitos ao longo do tempo. O objetivo seria desvio de recursos públicos via contratos vinculados à Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, envolvendo escolas estaduais e empresas ligadas à organização.
A PF iniciou as apurações após análise de mídias apreendidas na primeira fase da operação, que visava coibir vazamento de informações sigilosas. A investigação aponta direcionamento de contratações pela Diretoria Regional Noroeste da Seeduc para empresas associadas ao grupo, com recursos desviados misturados a valores lícitos em contas de uma rede de postos de combustíveis administrada pelo líder da organização.
Posicionamentos oficiais
A Alerj informou estar à disposição para colaborar com as autoridades e reiterou o compromisso com a transparência. A Secretaria de Estado de Educação informou que realiza revisão de procedimentos de obras de manutenção e reparos, estabelecendo teto de 130 mil reais para intervenções classificadas como manutenção, com obras acima desse valor sendo tratadas pela Emop-RJ. A pasta informou ainda colaboração com o Ministério Público, o Tribunal de Contas e demais órgãos de controle.
A defesa de Thiago Rangel afirmou ter recebido a notícia com surpresa e que está buscando os elementos da investigação, negando qualquer ilícito e destacando a confiança no devido processo legal.
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