- O CEO da LATAM Brasil, Jerome Cadier, diz que o fim da escala 6×1 pode inviabilizar voos internacionais se aeronautas forem incluídos nas novas regras trabalhistas.
- Segundo ele, jornadas de longo curso costumam passar de oito horas, o que entraria em choque com o texto em tramitação no Congresso.
- O projeto propõe reduzir a carga horária semanal de 44 para 40 horas, mantendo oito horas diárias e dois dias de descanso semanal, no modelo 5×2.
- O setor teme aumento de custos; a Abesata estima alta de pelo menos 20% nesses custos se a regra for aplicada a operações contínuas, embora a LATAM tenha poucos aeroviários nesse regime.
- O tema ainda está em debate no Congresso, com propostas variando sobre inclusão de aeronautas ou exceções para categorias com regulamentação própria.
O CEO da LATAM Airlines no Brasil, Jerome Cadier, afirmou nesta terça-feira (5) que o fim da escala 6×1 pode inviabilizar operações internacionais da aviação brasileira caso inclua aeronautas nas novas regras trabalhistas. Ele fez a observação durante a coletiva de resultados do primeiro trimestre da empresa.
Cadier explicou que voos de longa duração exigem jornadas superiores a oito horas, o que entraria em conflito com o texto em discussão no Congresso. Segundo ele, se a proposta for implantada, o Brasil não manteria mais operação internacional.
O executivo destacou que pilotos, copilotos, comissários e mecânicos de voo seguem regras específicas de jornada e descanso por motivos de segurança operacional. A inclusão dos aeronautas na nova modelagem poderia restringir a operação de rotas internacionais e voos intercontinentais.
Mudança pode afetar voos longos
O governo enviou ao Congresso uma proposta que reduz a carga horária semanal de 44 para 40 horas, mantendo oito horas diárias e dois dias de descanso. O objetivo é modernizar a legislação trabalhista e não reduzir salários.
A LATAM indica que o setor aéreo enfrenta custos adicionais com a possível mudança. A Abesata aponta que 53,2% dos trabalhadores formais do setor atuam em escala 6×1 e estima aumento de pelo menos 20% nos custos operacionais com a adoção do modelo 5×2 em operações contínuas.
Cadier avaliou que a LATAM possui poucos aeroviários nesse regime, o que limitará parte do impacto financeiro para a empresa. O tema continua em debate no Congresso, com versões e emendas variadas.
Escalas especiais em análise
Algumas propostas incluem explicitamente aeronautas nas novas regras, enquanto outras defendem exceções para categorias com regulamentação própria. O governo mantém campanha pública defendendo o fim da escala 6×1, argumentando ganhos de produtividade e qualidade de vida.
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