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Alito cita dados enganosos do DoJ em decisão sobre Lei de Direitos de Voto

Alito cita dados do Departamento de Justiça com metodologia duvidosa na decisão sobre a Lei de Direitos de Voto, revela análise do Guardian

Demonstrators outside the US supreme court in Washington DC in October 2015. Composite: Bloomberg via Getty Images, Reuters
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  • A Guardian analisou dados usados pelo juiz Samuel Alito em decisão sobre a Lei de Direitos de Voto, apontando método questionável para calcular participação de eleitores.
  • A citação de Alito dizia que o turnout de eleitores negros superou o de brancos em duas das cinco eleições presidenciais mais recentes, tanto no país quanto na Louisiana.
  • O cálculo citado utilizou a população total com mais de dezoito anos (inclui cidadãos e inelegíveis), o que experts consideram inadequado para medir turnout.
  • Com base em outras metodologias — como a população de eleitores votantes cidadãos ou a parcela de eleitores registrados — não há excedente do voto negro sobre o branco na Louisiana nem nas últimas cinco eleições presidenciais.
  • Análises nacionais indicam que a lacuna de participação entre brancos e negros vem se ampliando nos últimos anos, contrariando a leitura apresentada na decisão.

O jornal digital recebeu, com exclusividade, a afirmação do ministro Samuel Alito sobre votação nos EUA, citando dados do Departamento de Justiça (DoJ) para sustentar que a participação de eleitores negros superou a dos brancos em duas das cinco últimas eleições presidenciais. A decisão histórica que derrubou parte da Voting Rights Act baseou-se nessa alegação.

A Guardian analisou o conjunto de dados utilizado no veredito. Constatou-se que a metodologia empregada pela versão do DoJ para Louisiana compara participação de negros e brancos com base na população total acima de 18 anos, incluindo não cidadãos e pessoas sem direito de voto. Essa abordagem é vista como inadequada por especialistas.

Metodologia questionada

Especialistas entrevistados afirmaram que a base de cálculo incorre ao incluir votantes inelegíveis no denominador. Observam que o uso da população em idade de votar, sem restringir a cidadãos votantes, pode distorcer o retrato real da participação eleitoral.

O DoJ reconheceu ter usado a população total em idade de voto, sem restringir aos cidadãos, porém não respondeu sobre o porquê da escolha. Não houve resposta da Suprema Corte sobre a metodologia adotada.

Dados regionais e tendências nacionais

A Guardian também revisou dados da Secretaria de Estado da Louisiana, que calcula a participação como porcentagem de eleitores registrados. Por esse método, não houve registro de vantagem de eleitores negros sobre brancos nas cinco últimas eleições presidenciais.

Nationalmente, a análise aponta que, após 2012, a participação de eleitores negros, embora tenha sido alta naquele ano, recuou em eleições subsequentes, ficando abaixo da participação de brancos. Especialistas destacam que o conjunto de dados e o recorte temporal influenciam as conclusões.

Ayrton Morris, pesquisador vinculado ao Brennan Center, afirma que a afirmação de que a lei não é mais necessária não se sustenta quando se observa a tendência histórica de disparidades raciais na votação. Outra professora de ciência política ressalta que selecionar anos específicos pode ocultar o aumento do fosso ao longo do tempo.

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