- Estudo da EQI Research associa a vitória de Lula em 2022 ao aumento da participação no Sudeste, com papel central de São Paulo.
- A menor diferença de votos entre Lula e Bolsonaro em 2022 teve peso de SP, onde a vantagem de Bolsonaro caiu de 8,1 milhões (2018) para 2,7 milhões (2022).
- A queda da abstenção em SP ocorreu principalmente entre eleitores de baixa escolaridade, sobretudo homens, aumentando votos válidos a favor da esquerda.
- A pesquisa usa inferência ecológica e modelo bayesiano para estimar voto por grupo demográfico; os resultados são probabilísticos, não votos diretos de cada grupo.
- Grupos de meia-idade (35–44, 45–54, 55–69) foram os principais impulsionadores da vitória da esquerda em SP; jovens até 34 tendem a votar mais à direita, com exceção de mulheres de baixa escolaridade.
O estudo da EQI Research aponta que a vitória de Lula em 2022 ocorreu junto com um aumento da participação eleitoral no Sudeste, com São Paulo no centro desse movimento. A redução de votos brancos, nulos e abstenções no estado diminuiu a vantagem de Bolsonaro, de 8,1 milhões de votos em 2018 para 2,7 milhões em 2022.
A análise buscou entender não apenas onde Lula diminuiu a diferença, mas quem foram os eleitores responsáveis pela mudança. Os economistas apontam que a queda da abstenção em São Paulo ficou concentrada entre eleitores de baixa escolaridade, principalmente homens, que teriam ido às urnas em maior volume em 2022.
Para os autores, São Paulo foi o estado com a maior vantagem absoluta de Bolsonaro sobre Lula em votos, mas essa diferença caiu expressivamente em 2022. A eleição foi decidida por pouco mais de 2,1 milhões de votos, o que dá peso potencial à mudança paulista no resultado final.
Inferência ecológica
A EQI utilizou uma técnica de inferência ecológica, já que os dados oficiais não revelam como cada grupo votou. O modelo estima probabilidades de voto a partir de variações demográficas entre estados, considerando gênero, escolaridade e faixa etária, com estimativas de voto à esquerda, à direita, além de abstenção, branco e nulo.
O estudo também aplicou um modelo bayesiano para tratar a incerteza estatística. Os resultados, portanto, são estimativas probabilísticas sobre o comportamento de diferentes perfis do eleitorado, não votos individuais.
Outro achado relevante é que a melhora do desempenho da esquerda em São Paulo não ocorreu de forma homogênea. A redução da diferença Lula-Bolsonaro concentrou-se principalmente em faixas etárias de meia-idade, entre 35 e 69 anos, com destaque para os grupos de 45 a 54 e 55 a 69 anos.
Entre os eleitores mais jovens, até 34 anos, a tendência foi maior apoio à direita, exceto entre mulheres de baixa escolaridade. Já entre os mais velhos, o movimento pró-direita ficou mais restrito a homens de alta escolaridade em alguns grupos, e a homens de baixa escolaridade entre 35 e 44 anos.
“A maior propensão de voto entre os mais jovens para a direita e a menor abstenção entre homens de baixa escolaridade foram surpresas”, afirma Kautz. “O público masculino de 25 a 45 anos com baixa escolaridade teve peso relevante na vitória de Lula.”
Segundo Cadilhac, esse histórico ajuda a explicar por que São Paulo, o maior colégio eleitoral, é crucial para a estratégia de campanha à reeleição e por que o desempenho de Flávio Bolsonaro precisa ser considerado para recuperar vantagem na oposição ao PT.
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