- A Comissão Externa da Câmara dos Deputados (CEMDP) reapresentou relatório que sugere que Juscelino Kubitschek foi assassinado, revisando investigações anteriores que apontavam acidente como causa da morte em 1976.
- O novo parecer utiliza perícias recentes e contexto político da época, contrapondo teses anteriores aceitas pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) e por investigações de 1996.
- O MPF (Ministério Público Federal) participou da reconstrução do acidente em 3D, concluindo que não houve contato entre o Opala de Kubitschek e o ônibus, o que inviabilizaria choque frontal como causa do desvio de rota.
- Os peritos apontam falhas nos laudos de 1976 do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), incluindo inconsistências sobre danos no veículo e efeitos após o guinchamento.
- O relatório também destaca atrasos no socorro, alegadas ações de militares no local e contexto de resistência à ditadura, com possibilidade de reabertura de certidões de óbito se a tese de atentado for aceita pela comissão.
O relatório a ser votado pela Comissão de Desaparecidos Políticos aponta que Juscelino Kubitschek foi assassinado, reabrindo a investigação sobre o acidente que tirou a vida do ex-presidente, em 1976. As novas perícias contestam versões anteriores que deram como causa um simples acidente de trânsito. A análise reúne provas públicas e estudos de pesquisadores vinculados a universidades.
A comissão externa da Câmara dos Deputados, de 2001, e a Comissão Nacional da Verdade, de 2014, haviam aceitado a hipótese do acidente. Em 1996, a polícia também já havia encerrado o caso com a mesma conclusão. O novo relatório, porém, sustenta outra leitura a partir de evidências reexaminadas.
O que se sabe até agora
O acidente ocorreu em agosto de 1976, no km 165 da Via Dutra, envolvendo o Opala guiado por Geraldo Ribeiro e uma colisão frontal com uma carreta. O veículo de JK desviou, invadiu a contramão e viajou 50 metros antes da batida.
Pesquisadores da USP e da Mackenzie, em parceria com comissões da Verdade de SP e de MG, defendem que a causa pode ter sido externa ao veículo, como sabotagem mecânica, ou um mal súbito causado por envenenamento do motorista. As hipóteses não haviam sido consideradas com o rigor atual.
Análise do MPF e nova reconstrução
O MPF aponta falhas nos laudos de 1976 e sustenta que não houve contato entre o ônibus e o Opala na reconstrução 3D realizada entre 2013 e 2019. Segundo o órgão, a avaria do para-lama traseiro não indicaria colisão com terceiros.
A reconstrução 3D revela que, nas condições verificadas, não haveria intervenção do ônibus para desviar o Opala. Técnicos ressaltam que não houve frenagem adequada nem manobra evasiva antes do choque.
Controvérsias e desfechos
O motorista do ônibus, Josias Oliveira, foi inocentado em processo por homicídio culposo. Testemunhas e depoimentos divergem sobre impactos percebidos no trajeto. A demora do socorro e a atuação de militares na cena também são apontadas como fatores relevantes nas primeiras apurações.
O acidente ocorreu após JK deixar uma reunião com o filho do Brigadeiro Villa-Forte, perto de um hotel. A perícia original não investigou alterações mecânicas no carro de JK, o que hoje é tema de nova análise.
Contexto histórico e desdobramentos
Em 1976, JK era uma liderança da resistência à ditadura por meio da Frente Ampla. Documentos ligados à Operação Condor e mensagens entre autoridades sul-americanas constam entre os elementos estudados. A subprocuradoria-Geral da República arquivou a linha de investigação mais grave em 2019, por falta de provas.
Caso o relatório da comissão seja acatado, novas certidões de óbito para JK e Geraldo Ribeiro poderiam constar como vítimas da repressão durante a ditadura, conforme apontado por historiadores ouvidos pela reportagem. As votações seguem abertas e dependem da avaliação formal.
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