- Péter Magyar será empossado como primeiro‑ministro, após o Tisza conquistar 141 das 199 cadeiras no parlamento.
- A posse ocorre quase um mês depois das eleições, com uma grande celebração prevista em frente ao parlamento, em Budapeste.
- O Fidesz caiu de 135 para 52 cadeiras; alguns dirigentes não vão assumir assentos e o futuro político do grupo é incerto.
- Magyar prometeu mudança de sistema e de governo, em meio a denúncias e investigações de corrupção envolvendo figuras associadas ao governo anterior.
- Desafios do novo governo incluem liberar 17 bilhões de euros de fundos da União Europeia, alinhar posição sobre pacto migratório e lidar com multas diárias da UE por não cumprimento de decisões judiciais.
Péter Magyar, novo primeiro-ministro da Hungria, deve ser empossado menos de um mês após conduzir o movimento Tisza a uma vitória esmagadora, varrendo 16 anos de governo de Viktor Orbán. A formação detém 141 cadeiras de 199 no parlamento, resultado de ter surgido há apenas dois anos.
O país se prepara para uma grande celebração de liberdade e democracia, prevista para sábado, em frente ao parlamento, às margens do Danúbio. Magyar pediu aos húngaros que entrem pelo “portal da mudança de regime”. O Palácio Sándor, em Budapeste, terá a abertura do novo governo.
Orbán e o partido Fidesz viram sua bancada cair de 135 para 52 cadeiras, com sinais de desestruturação interna. O fato é agravado pela decisão de Orbán e de outros integrantes de não ocupar assentos no parlamento, enquanto o destino político deles permanece incerto.
Contexto político
Em meio a denúncias de corrupção, Magyar promete uma “mudança de sistema” e de governo, enquanto o novo time busca legitimar a transição. Não está claro se Orbán participará da sessão inaugural, mesmo que como convidado.
Zoltán Tarr, futuro ministro das Relações Sociais e da Cultura, afirmou à BBC que o objetivo é montar o governo a partir das ruínas do anterior, diante de um cenário econômico ainda incerto. A gestão anterior ampliou gastos em contratos e ações de favorecimento a círculos próximos ao Fidesz.
Entre os temas em jogo, está a liberação de 17 bilhões de euros de fundos da UE, retidos pela Comissão Europeia. A nova administração também precisa alinhar posição sobre um pacto migratório da UE, que permanece sob execução parcial.
Investigação local mira a rede de mídia de Gyula Balásy e o Fundo Nacional de Cultura, incluindo um Urban Civil Fund com orçamento de cerca de 64,9 milhões de euros. Balásy afirmou desejar transferir ativos ao estado, negando irregularidades.
A imprensa aponta ainda esforços para esclarecer possíveis repasses de verbas a candidatos do Fidesz dentro de fundos culturais. Magistrados alertam para o aumento gradual de investigações, com maior cooperação entre polícia e tesouro.
O principal desafio imediato é a gestão de crises econômicas e a relação com a UE e seus mecanismos de fiscalização. Mesmo diante de críticas, Tarr reforça confiança de que o país encontrará caminho com parceiros europeus.
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