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Putin enfrenta crises; imagem de líder forte da Rússia começa a ceder

Parada do Dia da Vitória em Moscou ocorre sem blindados e com pouca presença de líderes internacionais, em meio a recessão e queda de popularidade de Putin

A popularidade do ditador Vladimir Putin está caindo na Rússia. (Foto: SERGEI ILNITSKY/EFE/EPA)
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  • O desfile do Dia da Vitória, em Moscou, será realizado sem exibição de blindados e com pouca presença de chefes de Estado estrangeiros, explicando-se pela “situação operacional atual” diante de ataques ucranianos com drones.
  • Putin enfrenta recessão na economia (PIB caindo 1,8% nos dois primeiros meses de 2026) e queda de popularidade, segundo pesquisas de institutos pró e contra o governo.
  • Medidas de controle digital, como bloqueios de WhatsApp e Telegram e cortes na internet móvel, aumentaram a insatisfação popular e levaram influenciadores a criticarem o regime.
  • A oposição tolerada pelo Kremlin intensifica alertas sobre riscos de instabilidade, com o Partido Comunista destacando a possibilidade de eventos semelhantes a 1917 se não houver medidas urgentes.
  • Relatórios de inteligência indicam paranoia de segurança: Putin passou a usar bunkers reforçados, reduziu visitas a instalações militares e intensificou a vigilância ao redor de assessores próximos.

Neste sábado, 9, a Rússia realizou o tradicional desfile do Dia da Vitória na Praça Vermelha, em Moscou, sem exibição de blindados e com a menor presença de chefs de Estado estrangeiros nos tempos recentes. A cerimônia ocorreu em meio a uma conjuntura inédita para Vladimir Putin, que enfrenta queda de popularidade, recessão econômica e um ambiente de maior insegurança. A organização do evento seguiu o tom do governo, com transmissão majoritária pela mídia estatal.

O Ministério da Defesa justificou a ausência dos equipamentos militares pela “situação operacional atual”, citando ataques de drones ucranianos que atingem território russo, inclusive Moscou. Na semana anterior, um drone atingiu um prédio de luxo a seis quilômetros do Kremlin, destacando o contexto de ataques e contramedidas. A imprensa internacional teve acesso limitado à cobertura presencial.

Entre os poucos visitantes internacionais confirmados estavam o líder de Belarus, Alexander Lukashenko, o rei da Malásia, Ibrahim Iskandar, e o líder do Laos, Thongloun Sisoulith. Xi Jinping e Kim Jong-un não devem comparecer à cerimônia, segundo informações destacadas pela cobertura externa.

Em entrevista à BBC, o deputado Yevgeny Popov defendeu a decisão de não exibir blindados, afirmando que os tanques estão mobilizados no front. A fala procurou justificar a escolha estratégica apresentada pelo governo.

Economia sob pressão e queda de popularidade

O cenário econômico russo vem piorando, com recessão confirmada para o início do ano. O PIB registrou queda de 1,8% nos dois primeiros meses de 2026, segundo autoridades citadas pelo próprio governo. O enfraquecimento econômico eleva a pressão sobre Putin e influencia a percepção pública.

Duas grandes pesquisas, realizadas por institutos oficiais, indicam recuo na aprovação ao governo. Em uma delas, 73% dos russos avaliavam positivamente o desempenho, registrando queda em relação ao mês anterior. A parcela de insatisfeitos subiu para 13%, e quem diz não confiar no líder atingiu 17%.

Outros números apontam que o índice de popularidade, segundo o Centro Russo de Pesquisa, caiu para 65,6% no fim de abril, o menor patamar desde antes do início da guerra. Analistas associam a piora a fatores como sanções ocidentais, incerteza econômica e déficits públicos.

Contribuem para o cenário dificuldades como conflitos econômicos, controles digitais e restrições de internet, que ampliaram a insatisfação popular. O governo tem insistido na necessidade de ajustes estruturais, porém com recursos cada vez mais limitados.

Controle digital e descontentamento

Medidas recentes incluem bloqueios a aplicativos de mensagens e interrupções da internet móvel, com o objetivo de fomentar uso de plataformas estatais. O acesso a serviços como WhatsApp, Telegram e YouTube sofreu restrições, enquanto o aplicativo estatal MAX é promovido como alternativa.

Essa onda de restrições gerou protestos de usuários e apoiadores do regime, atingindo até influenciadores com grandes audiências. Analistas dizem que as medidas alimentam descontentamento entre setores da sociedade, incluindo figuras de dentro da elite.

Parlamentares fiéis ao Kremlin também sinalizaram tensões. Em tom firme, o líder do Partido Comunista sugeriu que medidas urgentes são necessárias para evitar repetição de episódios históricos, referindo-se ao passado revolucionário russo, o que evidenciaria um embalo de fricções internas.

Segurança e paranoia em alta

Relatos de serviços de inteligência indicam fortalecimento da proteção pessoal de Putin e de assessores próximos. Documentos apontam para maior vigilância em escritórios e restrição de circulação de pessoas próximas ao presidente. Não há visitas de Putin a instalações militares este ano, e o uso de bunkers tem sido adotado com maior frequência.

O ambiente de insegurança decorre de ataques contra oficiais russos e da percepção de ameaças internas. Em anos recentes, ofensivas contra o aparato de segurança contribuíram para esse eixo de preocupação, moldando o cotidiano dos principais dirigentes do país.

Especialistas destacam que a crise atual no Kremlin lembra estágios de governos de grandes potências em períodos de transição, com sinais de desgaste de autoridade e pressão de diferentes frentes, internas e externas.

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