- A Anvisa determinou o recolhimento de lotes de detergentes, lava-roupas e desinfetantes da Ypê por falhas de fabricação na Química Amparo, no interior de São Paulo.
- A empresa conseguiu efeito suspensivo na Justiça na sexta-feira (8), interrompendo a proibição, mas a recomendação de evitar os lotes afetados permanece.
- Nas redes, apoiadores da direita passaram a defender a marca, com campanhas de consumo e memes em meio à reação pública.
- A mobilização tem relação com doações da família Beira, controladora da Química Amparo, que doou R$ 1 milhão à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro em 2022; a empresa também já enfrentou processo por assédio eleitoral em 2022.
- A Anvisa disse que a decisão foi baseada em inspeções técnicas e não informou o prazo para o julgamento definitivo; os produtos continuam disponíveis, enquanto o debate segue nas redes.
A Anvisa determinou, na quinta-feira (7), o recolhimento de lotes de detergentes, lavam roupas e desinfetantes da Ypê após identificar falhas de fabricação e risco de contaminação na fábrica da Química Amparo, no interior de São Paulo. A medida levou à suspensão temporária de comercialização dos produtos afetados.
Na sexta-feira (8), a empresa contestou a decisão, e a Justiça concedeu efeito suspensivo, interrompendo a proibição. A Anvisa manteve a orientação para que consumidores evitem os lotes até o julgamento definitivo do recurso. A disputa segue com forte repercussão nas redes.
A mobilização chamado por figuras da direita envolveu políticos, influenciadores e internautas. O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo, pediu aos seguidores para comprar produtos da Ypê, alegando perseguição a uma empresa brasileira. Já o deputado Lucas Bove afirmou apoio à marca.
O prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, adotou tom compreensivo, defendendo a troca dos lotes, mas criticando o que chamou de massacre contra a empresa. Entre artistas, Jojo Todynho publicou vídeo lavando a louça com detergente da marca, e o ator Júlio Rocha reforçou apoio ao consumo normal dos produtos.
Internautas anônimos também comentaram nas redes, sugerindo motivação política por trás da atuação da Anvisa. Mensagens variavam entre suspeitas de objetivo eleitoral e defesa do consumo, com menções a viés político nas decisões regulatórias.
Linhas financeiras da Controvérsia
A mobilização atual tem relação com o histórico da Química Amparo, controlada pela família Beira, que doou juntos R$ 1 milhão à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro em 2022. Registros do TSE indicam que Jorge Eduardo Beira contribuiu com R$ 500 mil, e Waldir Beira Júnior e Ana Maria Beira, cada um com R$ 250 mil.
Em 2022, a Química Amparo também foi condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região por assédio eleitoral, após promover uma live interna em apoio a Bolsonaro para funcionários. A empresa afirmou ser apartidária, mas houve a condenação.
A Anvisa informou que a decisão de recolhimento se baseou em inspeções técnicas. O órgão não divulgou prazo para o julgamento definitivo do recurso da Ypê. Enquanto isso, os lotes continuam fora de circulação em alguns pontos, mas com a venda mantida em outros.
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