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Educafro questiona TJ/RO sobre demissão de juiz negro e ex-pipoqueiro

Educafro questiona o TJ de Rondônia sobre demissão de juiz negro; corte sustenta que condutas foram incompatíveis com a magistratura

Juiz Robson José dos Santos foi demitido do TJ/RO por condutas consideradas incompatíveis com a magistratura.
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  • A Educafro questionou o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ/RO) sobre a demissão do juiz substituto Robson José dos Santos, negro e ex-pipoqueiro, decidido em maio pelo TJ/RO.
  • Robson foi barrado no processo de vitaliciamento em março, ficando no estágio probatório; o acórdão concluiu pela perda do cargo e demissão.
  • A Educafro pediu esclarecer se houve racismo estrutural no caso e se houve aplicação do Pacto Nacional do Judiciário pela Equidade Racial, requisitando provas das acusações.
  • O juiz Robson alegou ter sido vítima de racismo e de punição desproporcional por sua condição racial, dizendo que o julgamento não mirava apenas seu desempenho profissional.
  • O TJ/RO rejeitou a tese racial, afirmando que o processo tratou de condutas individuais incompatíveis com a magistratura; 12 de 16 imputações foram consideradas procedentes. Processos relacionados aos fatos incluem tratamento descortês a servidores, decoro, atuação em unidades prisionais e questões de diárias e jornada.

A Educafro, movimento de promoção da igualdade racial, questionou o TJ/RO sobre a demissão do juiz substituto Robson José dos Santos. Robson, negro e de origem humilde, foi pipoqueiro em Recife antes de ingressar na magistratura. A denúncia mira possíveis sobras de racismo estrutural no caso.

No processo, o TJ/RO informou que Robson não foi vitaliciado. Em maio, o acórdão do Tribunal Pleno Administrativo decidiu pela perda do cargo por 12 das 16 imputações. A decisão concluiu que as condutas seriam incompatíveis com a magistratura, sem considerar fatores extrajurídicos.

Robson afirmou ter sido vítima de racismo e de punição desproporcional. Em sua defesa, afirmou ter sido tratado como alvo por sua cor. Alega que a percepção sobre sua imagem em diferentes comarcas alimenta estereótipos injustos.

A decisão do TJ/RO

O Tribunal sustenta que o caso tratou de condutas funcionais, não de viés identitário. Não houve indícios de tratamento desigual ou de represália por raça, segundo o acórdão. A avaliação focusou deveres éticos como urbanidade, decoro e autocontenção.

O que foi apurado

Conforme o acórdão, foram aprovadas 12 das 16 imputações. Entre as condutas apontadas estão tratamento rude a servidores, postura incompatível com o decoro, atuação em unidades prisionais e contato impróprio com detentos. Também houve questionamentos sobre diárias e jornada de trabalho.

Repercussões

A Educafro cobra transparência de provas para as acusações e questiona se houve aplicação do Pacto Nacional pela Equidade Racial. A entidade afirma que a demissão de um juiz com mais de duas décadas de serviço sem histórico de punição grave é motivo de perplexidade institucional.

Processo: 0820700-38.2024.8.22.0000

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