- Governo do Rio de Janeiro suspendeu a compra do helicóptero Black Hawk para a Polícia Militar após identificar problemas na licitação e suspeitar que a aeronave era usada.
- A aquisição, estimada em 70 milhões de reais, teve ligações entre duas empresas concorrentes, o que levantou dúvidas sobre a lisura do processo.
- O valor do negócio, cerca de US$ 12,6 milhões, era atipicamente baixo, em comparação com aeronaves semelhantes vendidas à FAB por US$ 28 milhões, alimentando a suspeita de uso ou peças de segunda mão.
- Avaliações internas apontaram que o Black Hawk, por porte e potência, poderia ter pouca adequação para operações urbanas no Rio, com risco de danos a estruturas em voos de baixa altitude.
- O governo decidiu rever contratos e suspender a compra por cautela jurídica e administrativa; nenhum recurso havia sido pago até então.
O governo em exercício do Rio de Janeiro suspendeu a compra de um helicóptero Black Hawk para a Polícia Militar após identificar problemas no processo de licitação e duvidar da origem da aeronave. A aquisição, anunciada no fim de janeiro, tinha valor de cerca de 70 milhões de reais.
O modelo é da Sikorsky, controlada pela Lockheed Martin, e está em uso há mais de 40 anos por forças armadas de diversas nações. Trata-se de uma aeronave multimissão, com capacidade para defesa, resgate, transporte de cargas e evacuação médica.
O Black Hawk pesa cerca de 6 toneladas, pode transportar até 4 toneladas adicionais e comporta 11 passageiros. A velocidade máxima chega a 300 km/h, com quatro monitores de radar e mapa.
Por que o governo desistiu? A suspensão ocorreu após a identificação de irregularidades no edital, incluindo ligações entre empresas concorrentes. O levantamento apontou vínculos diretos com o mesmo empresário, o que alimentou dúvidas sobre a lisura da concorrência.
Outra questão levantada foi o preço: o helicóptero foi licitado por US$ 12,6 milhões, valor considerado baixo em comparação com aeronaves semelhantes, pagas pela FAB por cerca de US$ 28 milhões.
Análises internas também levantaram dúvidas técnicas. A operabilidade urbana no Rio exigiria áreas maiores para pouso, aumentando risco de danos a estruturas em áreas urbanas de baixa altitude.
A decisão ocorreu antes de qualquer pagamento de recurso, com o governo de plantão revisando contratos por cautela jurídica e administrativa. A investigação envolve dois empresas ligadas ao mesmo empresário, segundo o governo.
O governador João Cláudio Castro, que anunciou a negociação inicialmente, não participou das decisões finais sobre a suspensão, que ocorreu sob a gestão interina de Ricardo Couto.
A reportagem do g1 destaca que o caso envolve questões de integridade em licitação e compatibilidade operacional, apontando a necessidade de avaliação mais aprofundada antes de novas propostas.
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