- A CNMC ordenou que a Renfe abra seus talleres ao mantenimiento pesado da frota do concorrente Iryo, o que pode exigir imobilizar parte dos seus próprios trens.
- A Renfe informou que pode haver um impacto de cerca de 60 milhões de euros anuais e que o pedido envolve manter operações nos corredores Madrid-Barcelos, Madrid-Sur e Madrid-Levante.
- A estimativa da Renfe é de 1,2 milhões de lugares afetados pela retirada de mercado, com cerca de um terço envolvendo os comboios da série 103 entre Madrid e Barcelona.
- Outras 800 mil vagas estão associadas às séries 120 e 121, em circulação no País Vasco, em Huelva e no Eixo Atlântico.
- A disputa envolve diferenças sobre o que se entende por manutenção pesada; a CNMC já havia destacado que Renfe Mantenimiento deve oferecer acesso de forma não discriminatória a terceiros, conforme a lei.
A CNMC mandou Renfe abrir seus talleres ao manutenção pesada da frota de Iryo, forçando a concessionária pública a compartilhar infraestrutura. A medida pode exigir a imobilização de parte de trem de Renfe, para viabilizar serviços de terceiros. A decisão foi comunicada pela Comissão e já está em análise pela Audiencia Nacional, segundo a imprensa.
O presidente de Renfe, Álvaro Fernández Heredia, criticou publicamente a exigência nas redes sociais, afirmando que Iryo e Ouigo perderam três anos sem resolver o tema. Ele sustenta que a prática favorece a competição às custas da empresa nacional, caracterizando o movimento como canibalização.
A Renfe recebeu o prazo de dez dias para responder ao pedido da CNMC e estima um impacto financeiro de até 60 milhões de euros por ano. A empresa atua nos corredores de maior demanda da alta velocidade: Madrid-Barcelona, Madrid-Sur e Madrid-Levante, onde a manutenção pesada exige dias de ocupação das instalações.
Calcula-se que 1,2 milhão de lugares poderiam ficar indisponíveis com a abertura indiscriminada dos espaços. Cerca de um terço desse total envolve a série 103, que opera entre Madrid e Barcelona, com potencial de reduzir seis circulações diárias. Outras 800 mil vagas estão associadas às séries 120 e 121, que operam no País Basco, no eixo Atlântico e em outras rotas.
O debate envolve divergências sobre o que constitui manutenção pesada, levando a um conflito direto entre Renfe e Ouigo, com intercâmbio de acusações sobre uso das instalações além do permitido pela norma. Ouigo questiona a extensão de prazos de manutenção e pediu adicionalmente prorrogações para evitar cortes operacionais.
A CNMC explicou, em termos legais, que o operador deve oferecer serviços de manutenção pesada de forma não discriminatória, caso disponibilize tais serviços. Renfe Mantenimiento afirmou que não oferece acesso a terceiros fora do grupo, ainda que o catálogo de serviços indique a possibilidade, o que argumenta ser descabido para terceiros. A controvérsia envolve ainda a possibilidade de a Iryo realizar intervenções em instalações da Renfe no exterior ou em bases espanholas, conforme acordos vigentes.
Entre na conversa da comunidade