- Carros modernos são computadores sobre rodas que coletam dados diversos, como localização, quem está no veículo, o que está no rádio e até movimentos como cinto afivelado ou direção de olhar; alguns com câmeras internas.
- Empresas de seguros usam esses dados para cobrar tarifas diferentes e, em alguns casos, vendem informações para terceiros; estudo da Mozilla classificou carros como a pior categoria de produtos para privacidade.
- Aposta regulatória nos Estados Unidos prevê instalar câmeras infravermelhas e outros sistemas para detectar se o motorista está bêbado ou cansado, mas não há regras claras sobre o uso dos dados gerados.
- Casos envolvendo GM, LexisNexis e outros mostram venda e compartilhamento de dados de localização e comportamento, com FTC e autoridades estaduais atuando em alguns episódios.
- Medidas de proteção existem, como não aderir a programas de telemática de seguros, solicitar cópia dos dados às empresas, e ajustar as configurações de privacidade no veículo e aplicativos; a eficácia varia conforme o caso e a região.
O artigo aborda como os carros conectados coletam dados dos usuários de forma ampla e crescente, incluindo localização, hábitos de condução e até informações pessoais sensíveis. De acordo com estudos e análises, esse volume de dados pode impactar seguros e tarifas, mesmo sem consentimento explícito claro em todos os casos. O texto ressalta que muitos motoristas não sabem quais dados são coletados nem para onde vão.
Empresas automobilísticas e provedores de telemetria têm acesso a informações geradas dentro do veículo, bem como por meio de dispositivos conectados ao sistema de infotainment. Em muitos casos, as políticas de privacidade autorizam a coleta de dados como nome, idade, peso, expressões faciais e até sinais de saúde. Relatos de pesquisas independentes apontam que políticas de várias marcas não atendem padrões de proteção de dadosAtualizados com frequência, gerando insegurança entre consumidores.
Segundo análises de organizações independentes, há indícios de venda de dados a terceiros. Relatórios apontam decisões regulatórias e ações de autoridades em sites de estados e federações, envolvendo montadoras como GM, além de intermediários de dados. A prática de compartilhar ou vender informações de localização pode influenciar tarifas de seguros e outras decisões comerciais, ainda que operem dentro de moldes legais existentes.
Especialistas em privacidade destacam que, com leis americanas avançando para exigir tecnologias de detecção de impairment, o conjunto de dados gerado pode ampliar ainda mais. O objetivo dessas tecnologias é detectar se o motorista está alcoolizado, cansado ou inapto para dirigir, o que aumenta o volume de dados sensíveis coletados por câmeras infravermelhas e sensores. A ausência de salvaguardas sobre o uso adicional desses dados preocupa defensores da privacidade.
No âmbito regulatório, há variação entre regiões. Nos Estados Unidos, não há lei federal ampla de proteção de dados veiculares; proteções existem de forma setorial ou estadual. Na Europa e no Reino Unido, há medidas para categorias sensíveis de dados e direitos limitados, como consulta e deleção, mas especialistas apontam que a aplicação nem sempre é consistente. O debate sobre privacidade continua, principalmente no que diz respeito ao uso de dados para finalidade de segurança versus usos comerciais.
Para reduzir impactos, especialistas sugerem que consumidores evitem programas de telemática de seguros se houver receio de privacidade. Em alguns países, é possível solicitar cópia dos dados coletados, solicitar exclusão ou optar por não compartilhamento com terceiros. Ferramentas de privacidade disponibilizadas por fabricantes variam, e consumidores devem verificar configurações no sistema de infotainment e apps vinculados.
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