- O governo acabou com a taxação federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, decisão tomada via medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na terça-feira, 12 de maio de 2026.
- A medida ocorreu após o receio de desgaste eleitoral, com pesquisas mostrando rejeição significativa à cobrança, considerada o maior erro do governo entre eleitores de classes C e D.
- O levantamento AtlasIntel em parceria com a Bloomberg apontou que 62% dos brasileiros viam a taxa como o principal erro do governo Lula até então.
- O caso ganhou força entre integrantes do Planalto, incluindo o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, que passou a defender o fim da isenção para reduzir o impacto político.
- A mudança marca uma inflexão do governo, visto como útil para atenuar o desgaste e desde então o presidente reconheceu que a cobrança trouxe prejuízo político.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, na terça-feira (12.mai.2026), uma medida provisória que encerra a cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. A decisão, tomada após semanas de discussão interna, visa reduzir o desgaste político antes das eleições de 2026. A medida envolve o fim da chamada “taxa das blusinhas”.
Segundo relatos do Planalto, o tributo se tornou um dos principais símbolos de insatisfação entre as classes C e D, principalmente entre consumidores que utilizam plataformas estrangeiras. Pesquisas de opinião indicaram rejeição expressiva ao imposto, ampliando a pressão para encerrar a cobrança.
A avaliação interna ganhou força após resultados de levantamentos como AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgados em fevereiro. Dados apontaram que 62% dos brasileiros consideravam a taxa o maior erro do governo Lula até então, superando outras críticas econômicas.
Mudança estratégica
Integrantes do Palácio do Planalto dizem que Sidônio Palmeira, da Secom, passou a defender a desvinculação da medida para reduzir o impacto eleitoral. A percepção é de que o tributo atingia diretamente a população de menor renda, público estratégico para a base governista.
O governo também reconhece que a cobrança ficou associada a custos adicionais para famílias de menor renda e dificultou a percepção de neutralidade da política econômica. Em abril, Lula já havia reconhecido que a taxa trouxe prejuízo político e a classificou como desnecessária.
A decisão de acabar com a taxa foi tomada após discussão interna com foco em cenários eleitorais. A medida, assinada pelo presidente, representa uma reversão em relação ao início da tributação, que havia sido defendida pela equipe econômica para manter isonomia entre o varejo nacional e o comércio internacional.
Contexto e desdobramentos
Historicamente, defensores da cobrança argumentavam que ela manteria a competição tributária justa entre varejo nacional e importadores. Aliados do governo atuaram para viabilizar a criação da taxa no Congresso, com figuras vigentes na época defendendo o fim da isenção.
Auxiliares próximos a Lula afirmam que a mudança pode influenciar a composição de cenários eleitorais, já que pesquisas recentes mostravam favoritismo de Flávio Bolsonaro em cenários de segundo turno. A pauta, no entanto, passa a ter status de política pública encerrada, sem novas discussões sobre o tema no momento.
Entre na conversa da comunidade