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Justiça determina retomada de câmeras corporais na PM de Santa Catarina

Justiça determina retomada das câmeras corporais pela Polícia Militar de Santa Catarina em até noventa dias, com plano de redução de letalidade em até cento e oitenta dias

Várias câmeras corporais pretas estão alinhadas em estações de carregamento com luzes vermelhas indicativas, em ambiente interno desfocado ao fundo.
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  • A Justiça determinou que o governo de Santa Catarina retome o uso de câmeras corporais na Polícia Militar, com 90 dias para apresentar um plano detalhado de reimplantação.
  • A decisão entende que interromper o programa, em setembro de 2024, sem substituição adequada representa retrocesso em direitos fundamentais e na qualidade das provas.
  • Além da reimplantação, a sentença exige que o governo apresente, em até 180 dias, um plano específico para redução da letalidade policial no estado.
  • O plano deve trazer cronograma, metas, responsáveis, orçamento e fontes de financiamento, com expansão gradual e prioridade para operações de entrada sem mandado, controle de distúrbios e atendimento a violência doméstica.
  • Em até um ano, será criado um Comitê Intersetorial Permanente; serão apresentados relatórios semestrais ao Judiciário e há multas por descumprimento das determinações.

A Justiça determinou a retomada do uso de câmeras corporais pela Polícia Militar de Santa Catarina. A decisão, publicada nesta terça-feira (12), exige que o estado apresente um plano detalhado de reimplantação em 90 dias. Além disso, o governo deve entregar, em até 180 dias, um plano específico para reduzir a letalidade policial.

Segundo o Judiciário, a interrupção do uso das câmeras sem substituição representou retrocesso na proteção de direitos fundamentais, como vida, transparência e qualidade das provas em processos criminais. A decisão sustenta a importância das evidências audiovisuais para o acompanhamento de operações.

A Polícia Militar informou que ainda não foi oficialmente notificada sobre a decisão e que o encaminhamento do caso será definido após análise jurídica do governo estadual. O órgão reafirmou que não há confirmação de detalhes até o momento.

Detalhes da decisão

O acórdão determina que o estado mantenha os equipamentos existentes e não os descarte, salvo comprovação técnica de inviabilidade. O material gravado deverá ser conservado e disponibilizado ao Ministério Público e à Defensoria Pública mediante solicitação.

O plano de reimplantação deve trazer cronograma, metas, responsáveis, orçamento e fontes de financiamento. A expansão ocorrerá de forma gradual, priorizando entradas em residências sem mandado, operações de controle de distúrbios e atendimentos de violência doméstica.

A decisão também institui a criação de um Comitê Intersetorial Permanente em até um ano. O grupo reunirá representantes do Executivo, da PM, do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública, da OAB e de entidades ligadas aos direitos humanos.

Relatórios semestrais ao Judiciário deverão apresentar dados sobre a implementação, número de câmeras em funcionamento, ocorrências sem gravação, uso da força, mortes por intervenção policial e recursos financeiros aplicados. O não cumprimento acarreta multa de 50 mil reais por dia para as obrigações ligadas à retomada.

Dados oficiais mostram que Santa Catarina registrou 92 mortes provocadas por policiais em 2025, o maior número desde 2019, com aumento de 24,3% na comparação com 2024, período marcado pelo fim do uso das câmeras pelo corpo de segurança.

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