- Flávio Bolsonaro revelou ter negociado com Daniel Vorcaro investimentos de US$ 24 milhões para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro, com US$ 61 milhões liberados entre fevereiro e maio de 2025; ele cobrou a liberação dos pagamentos remanescentes.
- A divulgação dos áudios inicialmente ampliou críticas, mas a reação da base bolsonarista amenizou parte das mensagens negativas, mantendo o equilíbrio entre menções positivas e negativas até a tarde.
- Em 13 de maio, o saldo negativo chegou a -62 às 16h, e às 17h aproximadamente 84% das menções a Flávio eram negativas, segundo a Palver.
- A partir das 18h, houve reorganização do discurso, com positiva caindo abaixo de 40% no fim do dia, indicativo de recuperação parcial.
- O adversário Romeu Zema criticou Flávio, contribuindo para a reversão do tom entre apoiadores; Ronaldo Caiado manteve tom mais brando e acabou com recortes de sentimento neutro, enquanto Lula manteve alta rejeição no intervalo analisado.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter negociado com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, recursos para custear a produção de um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. A informação veio à tona na quarta-feira, 13 de maio, e envolve pagamentos planejados no valor total de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões na época).
Segundo a reportagem do The Intercept Brasil, parte do montante foi liberada entre fevereiro e maio de 2025, num total de R$ 61 milhões. Com atrasos nos pagamentos remanescentes, Flávio teria cobrado Vorcaro por meio de mensagens, buscando a liberação dos valores.
A divulgação das conversas impactou a percepção pública nas mídias sociais, inicialmente reduzindo as menções positivas ao senador. A agência Palver, especializada em monitoramento digital, aponta que a reação dos apoiadores foi tentar conter o dano.
Palper e leitura do ambiente
A Palver descreve que, em sete horas, a candidatura de Flávio passou de risco de ruína a risco de derrota. Até 13h, o saldo de sentimentos entre grupos monitorados permaneceu equilibrado, com positives e negatives quase em igualdade.
A partir das 14h30, com a circulação da reportagem, o saldo positivo encolhe e o negativo cresce. O pico de negatividade ocorre por volta das 16h, com saldo líquido negativo em 62. Às 17h, 84% das menções passam a ser negativas, e apenas 16% positivas.
Na sequência, a curva de reação começa a se recompor. No fim do dia 13, positivos oscilaram em torno de 40%, ainda aquém do patamar anterior às divulgações.
O efeito Zema
Segundo a Palver, a recuperação de Flávio ocorreu não apenas pela defesa dos apoiadores, mas pela entrada de Romeu Zema na pauta. Zema, cotado para vice na chapa com Flávio, criticou o aliado em vídeo divulgado nas redes, ressaltando que cobrar dinheiro de Vorcaro seria inaceitável.
Os dados mostram que Zema registrava sentimento majoritariamente positivo até o dia 13, com picos de aprovação próximos de 70% em momentos isolados. A inflexão ocorreu entre 17h e 18h, quando o vídeo circulou, favorecendo a esquerda na avaliação interna.
Caiado e a resposta da centro-direita
O pré-candidato Ronaldo Caiado, em vídeo divulgado no X, pediu explicações de Flávio, mas afirmou não ser oportunista e defendeu a unidade da centro-direita. Na análise da Palver, Caiado manteve-se com sentimento neutro na maior parte do tempo monitorado, com leve elevação de positividade no fim do dia 13.
Lula e o contexto
Entre a esquerda, houve reações críticas, mas os dados da Palver não indicaram melhoria do saldo de Lula nos grupos no dia 13. O presidente permanece com maior concentração de menções negativas, variando entre 66% e 82%, com positivos entre 10% e 24%.
A Palver aponta que a rejeição a Lula é estrutural dentro desse universo de mensagens, e que a ofensiva contra Flávio não alterou o retrato do governo. No período, ataques ao governo voltaram a ganhar espaço à noite.
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