- Romeu Zema intensificou ataques a Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira, ampliando o isolamento de Mateus Simões e dificultando alianças com PL e PP.
- O PL já decidiu esfriar tratativas com Simões, consolidando agenda de abandonar aliança com o grupo de Zema em Minas; o partido mira acordo com o Republicanos.
- Em resposta, Zema publicou vídeo dizendo que ouvir Flávio pedir dinheiro a Daniel Vorcaro foi “imperdoável”, e Simões manteve apoio ao padrinho político.
- No PL, a aproximação entre as siglas seguiu com o acordo para 2026 envolvendo Flávio Roscoe, Rogério Marinho e Zé Vitor; o acordo ganhou reforço com a participação de Cleitinho Azevedo (Republicanos).
- No PP, Ciro Nogueira ficou desconfortável com as críticas de Zema, reuniões previstas foram canceladas e o acordo com Simões passou a ser considerado de menor prioridade.
Romeu Zema intensificou críticas contra Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira, ampliando o isolamento de aliados em Minas Gerais. O ex-governador subiu o tom nas últimas dias, pressionando o caminho político do atual governador Mateus Simões e tensionando alianças locais com o PL e o PP.
Segundo interlocutores ouvidos, a ofensiva de Zema acelerou o afastamento entre o Novo e o PL, além de abrir uma frente de atrito entre aliados de Simões e a cúpula nacional do PP. O desgaste com o bolsonarismo se intensificou após críticas envolvendo Flávio e o banqueiro Vorcaro.
O PL já havia sinalizado esfriar tratativas com Simões diante da possível candidatura presidencial de Zema. A avaliação predominante era que manter aliança com um grupo que apoiaria outro presidenciável não era estratégico no primeiro turno.
Nos bastidores, Zema passou a explorar politicamente o episódio, chamando o caso de “imperdoável” e afirmando que criticava práticas de corrupção associadas a Flávio. O vídeo com as declarações ganhou repercussão nas redes sociais.
Enquanto isso, o núcleo próximo da família Bolsonaro no PL reagiu publicamente, classificando a postura de Zema como oportunista. Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro encamparam críticas após a divulgação das informações.
Entre aliados de Zema, há a leitura de que a estratégia busca projetar o mineiro nacionalmente, ainda que isso possa comprometer a relação com Mateus Simões. Simões manteve apoio aberto a Zema, afirmando: “Zema presidente”.
No PL, a aproximação com Cleitinho Azevedo do Republicanos se intensificou, com a crise sendo encarada como fraqueza da aliança com Roscoe. Pesquisas indicam Cleitinho liderando intenções de voto para o governo local em cenários internos.
Ainda no universo bolsonarista, há resistência a uma aliança completa com Flávio. Pequenos setores sugerem Nikolas Ferreira como opção para o governo mineiro, embora não haja acordo para este momento.
PP e Ciro sob pressão
A crise também atingiu o PP, que vê dúvidas internas após críticas de Zema a Ciro Nogueira, apontado como investigado pela PF. A direção nacional manifestou desconforto com a deterioração de tratativas com Simões.
Antes, Ciro havia endossado publicamente o governo mineiro e indicado Marcelo Aro para o Senado na chapa de Simões. Reuniões previstas para a semana foram canceladas, consolidando a percepção de desgaste na relação.
Enquanto o cenário se desenrola, aliados de Simões reforçam o apoio a Zema, mantendo o foco na construção de alianças para 2026. A situação, porém, sinaliza tensões significativas entre siglas que compõem o arco bolsonarista.
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