- Revelações mostram que Flávio Bolsonaro manteve contato próximo com Daniel Vorcaro e negociou repasses milionários para o filme Dark Horse, com cerca de R$ 134 milhões no total e R$ 61 milhões pagos entre fevereiro e maio de 2025.
- Flávio afirmou conhecer Vorcaro desde dezembro de 2024 e citou cláusula de confidencialidade; disse que não houve doação e que houve investimento privado, mas mudou a versão após a divulgação de áudios.
- O caso envolve o Banco Master, cujo negócio foi questionado após o Banco Central vetar venda ao BRB; a Polícia Federal abriu inquérito em setembro e Vorcaro foi preso por fraude financeira bilionária.
- A PF investiga ainda possível uso de recursos para custear despesas de Eduardo Bolsonaro; transferências da Entre Investimentos para Havengate Development Fund teriam ocorrido nos EUA, segundo a apuração.
- O relevo político inclui ligações com Ciro Nogueira e a proposta da “emenda Master” para ampliar garantias do Fundo Garantidor de Créditos; a instalação de CPI é objeto de disputa política no Congresso.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, são alvo de novas manifestações de conversas que mostrariam relação mais próxima do que o deputado admitiu. A revelação ocorre durante o andamento das investigações sobre o caso Master, que envolve supostos desvios bilionários.
As mensagens, divulgadas pelo The Intercept Brasil, indicam negociação de repasses significativos para a produção de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio diz ter conhecido Vorcaro em 2024, mas alega confidencialidade para não tornar a relação pública.
Sinais de conexão e repasses
Registros indicam contatos entre setembro e novembro de 2025. Em áudio de setembro, Flávio cobra liberação de valores ao empresário, chamando-o de irmão. Em 8 de setembro, o mesmo tema volta a aparecer, com mais cobranças.
O Intercept aponta que Vorcaro pagou cerca de R$ 61 milhões entre fevereiro e maio de 2025, dentro de um repasse total estimado em R$ 134 milhões para o filme Dark Horse. O montante é alvo de questionamentos sobre a finalidade financeira.
Contexto regulatório e desdobramentos
Em 3 de setembro, o Banco Central vetou venda do Banco Master ao BRB, sinalizando fragilidade do grupo. Mesmo após o veto, as conversas continuaram e, em 30 de setembro, a PF abriu inquérito sobre Vorcaro.
Flávio, em defesa, afirmou que a relação era de investimento privado com eventual retorno financeiro, sem doações. Alega que a produção enfrentava dificuldades de captação no Brasil.
Cláusula de confidencialidade e contestação
O senador sustenta haver cláusula de confidencialidade no contrato com a produtora. Em entrevista, disse que o filme seria financiado por investimento privado, não por apoio público ou incentivo fiscal.
A produção Go Up Entertainment nega ter recebido recursos de Vorcaro. Registros de pagamento, no entanto, apontam ao menos R$ 61 milhões. O total de R$ 134 milhões suscita dúvidas sobre a natureza do financiamento.
PF e uso de recursos
Entre as linhas da investigação, a PF apura o possível uso de recursos para despesas de Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde 2025. Transferências foram identificadas entre Vorcaro e um fundo nos EUA.
Eduardo Bolsonaro negou irregularidades, classificando as acusações como ataques à reputação. Flávio negou uso indevido dos recursos, afirmando que o dinheiro foi aplicado ao projeto que envolve o filme.
Envolvimento político e desdobramentos
Além de Flávio, o caso envolve o entorno do bolsonarismo, com vínculos a autoridades. O ex-ministro Ciro Nogueira (PP-PI) é apontado em investigações associadas ao banco, especialmente a uma emenda parlamentar ligada ao Master.
Flávio aponta para a criação de uma CPI do Banco Master como defesa, enquanto no Congresso há ceticismo quanto à instalação, em meio a tensões com o presidente da Câmara. As apurações seguem em andamento.
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