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Quem é Roberto Sánchez, candidato à presidência do Peru?

Sánchez, candidato de esquerda no Peru, defende assembleia constituinte e revisão de mineração no segundo turno contra Fujimori

Roberto Sánchez em entrevista à Reuters em 12 de abril — Foto: REUTERS/Angela Ponce
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  • Roberto Sánchez é congressista de esquerda que defende reformar o setor de mineração e disputará o segundo turno presidencial do Peru contra Keiko Fujimori em 7 de junho.
  • Ele ficou em segundo no primeiro turno, com 12,03% dos votos, atrás de Fujimori, que teve 17,18%.
  • A plataforma de Sánchez prevê a convocação de uma assembleia constituyente para redigir uma nova Constituição e a criação de um Estado “plurinacional”.
  • Entre as propostas estão maior supervisão estatal sobre recursos naturais, revisão de contratos de mineração e gás, impostos sobre lucros extraordinários e um imposto sobre grandes fortunas; diz não querer expropriar propriedades.
  • Sánchez tem laços com o ex-presidente Pedro Castillo e enfrenta obstáculos no Legislativo, além de enfrentar acusações trabalhistas no passado; ele afirma não devolverá o poder a Castillo, mas apoiará sua libertação e a busca por justiça.

Roberto Sánchez, congressista de esquerda, avançou ao segundo turno da eleição presidencial no Peru e enfrentará a conservadora Keiko Fujimori. A votação de abril apontou Sánchez com 12,03% dos votos, frente a 17,18% de Fujimori. O segundo turno está marcado para 7 de junho, com a apuração após atraso em semanas.

Sánchez é ex-ministro do gabinete do deposto presidente Pedro Castillo. Do partido Juntos pelo Peru, ele propõe uma reformulação radical do Estado e uma nova constituição para estabelecer um Estado plurinacional. Seu objetivo é ampliar apoio entre comunidades rurais e indígenas.

O candidato defende a convocação de uma assembleia constituinte para redigir uma nova Carta Magna, com referendo para legitimar mudanças. Ele sustenta que o sistema atual falha na promoção de igualdade e que a atual Constituição, criada nos anos 1990, precisa ser revisada.

Caminho para o segundo turno

Sánchez ressaltou à Reuters, em entrevista de abril, a necessidade de um “novo começo” para o Peru e criticou a rigidez do Congresso atual, que afirma ter restringido o direito de referendos. O candidato usa elementos de identidade regional para ampliar sua base.

Entre as propostas, está a maior supervisão estatal sobre recursos naturais, revisão de contratos de mineração e gás, cobrança de impostos sobre lucros extraordinários e criação de tributo sobre grandes fortunas. Segundo ele, isso seria um reequilíbrio, não expropriação.

Contexto político e questões econômicas

Caso eleito, Sánchez enfrentaria oposição de uma bancada conservadora dominante no Legislativo. Seu elo com Castillo é visto como desafio para investidores estrangeiros, sobretudo no setor de cobre e metais. Castillo está preso e responde a acusações de rebelião.

Sánchez afirma não devolver o poder a Castillo, mas defende a libertação do ex-presidente e justiça para vítimas de protestos após a destituição. O candidato também enfatiza manter o Peru aberto a parcerias internacionais, com condições de justiça e equilíbrio comercial.

Origem e correlação social

Criado em uma família indígena no sul do Peru, Sánchez descreve uma origem humilde e atuação social ligada à Igreja. Ele sustenta que o voto rural e indígena não tem sido respeitado e defende maior inclusão social em políticas públicas.

O candidato também propõe endurecer punições contra corrupção, com medidas como proibição vitalícia de ocupar cargos públicos e reformas no Judiciário. No combate à criminalidade, defende apoio institucional às forças de segurança para enfrentar o crime organizado.

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