- A produção do filme “Dark Horse” não teria sido comunicada à Ancine antes das filmagens no Brasil, o que impediria emissão de vistos de trabalho e análise formal do projeto.
- A Ancine informou não localizar registros oficiais da filmagem estrangeira relacionada ao filme, classificando o documento como “informação inexistente”.
- O Sindcine denunciou irregularidades trabalhistas em janeiro, incluindo contratações sem formalização e pagamentos abaixo dos parâmetros legais, além de falhas em cumprir obrigações com profissionais brasileiros.
- Figurinantes relatam condições degradantes no set, com relatos de agressão, restrição de banheiro e celular, e descobrimento do teor político do filme apenas durante as gravações.
- Denúncias também chegaram ao Sated-SP, com atrasos de pagamento, alimentação inadequada e maus-tratos a profissionais; parte da equipe teria abandonado o projeto devido ao conteúdo político e custos adicionais.
O filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro, é alvo de questionamentos sobre a regularidade de sua produção no Brasil. A reportagem do Intercept Brasil aponta que a obra pode ter descumprido exigências da Ancine antes do início das filmagens no país.
Segundo a apuração, a produtora Go Up Entertainment Ltda não teria protocolado na Ancine a comunicação formal nem enviado documentos obrigatórios. Entre eles estariam o contrato com a empresa estrangeira, traduções, plano provisório de filmagem e cópias de passaportes dos profissionais estrangeiros.
Atores e datas envolvidas
A Ancine não emitiu autorização para vistos de trabalho nem iniciou avaliação formal do projeto por falta de comunicação oficial. A agência confirma não ter recebido qualquer informação sobre o filme ou sobre seu financiamento, produção ou detalhes técnicos.
Registro formal e resposta da Ancine
Ao ser consultada, a Ancine informou não localizar registros da filmagem estrangeira associada a Dark Horse. O documento considerado inexistente aponta que não houve tramitação oficial do projeto nos sistemas administrativos.
Denúncias trabalhistas
Em janeiro, o Sindcine protocolou denúncia apontando irregularidades na contratação de profissionais e pagamentos fora dos parâmetros. A entidade também afirma que obrigações contratuais com artistas brasileiros teriam sido descumpridas.
Condições no set e relatos de figurantes
Relatos publicados pelo O Globo indicam que ao menos 14 figurantes devem acionar a Justiça, citando agressões, restrições de uso de banheiro e celulares, além de condições degradantes. Parte dos envolvidos teria descoberto o conteúdo político do filme somente durante as gravações.
Desistências e impactos financeiros
Fontes próximas ao Intercept Brasil afirmam que alguns profissionais abandonaram o projeto ao conhecerem o teor político da obra. A saída de trabalhadores elevou custos e exigiu novas contratações, com possíveis pagamentos acima do mercado. Créditos assinados sob nomes fictícios também foram mencionados.
Novas denúncias e acompanhamento sindical
O Sated-SP recebeu relatos similares: atrasos de pagamento, alimentação inadequada e maus-tratos. Representantes do sindicato acompanharam parte das filmagens para acompanhar as condições locais de trabalho.
Debate interno e bastidores
Após a revelação de um investimento de cerca de R$ 61 milhões, houve defesa da ideia de uma superprodução em padrão hollywoodiano. Trabalhadores e membros sindicais, porém, descrevem gravações com estrutura precária e conflitos logísticos, incluindo problemas de pagamento em locações.
Conclusões técnicas e perspectivas
As informações disponíveis até o momento não permitem confirmar ou negar integralmente as irregularidades apontadas. A produção permanece sob escrutínio de órgãos reguladores e entidades sindicais, com testemunhos divergentes sobre as condições de trabalho e o andamento das filmagens.
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