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Coutinho e Pondé discutem obsessões ideológicas

Debate sobre obsessões ideológicas na democracia; pensadores associam discursos identitários ao retrocesso do liberalismo e ao risco ao pluralismo

Luiz Felipe Pondé e João Pereira Coutinho no Festival Fronteiras em Porto Alegre
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  • Debate sobre obsessões ideológicas no Festival Fronteiras em Porto Alegre reúne Luiz Felipe Pondé e João Pereira Coutinho para discutir o avanço dos discursos identitários e a crise do liberalismo.
  • Os pensadores dizem que esquerda e direita atuais tentam restaurar versões do passado em vez de ampliar conquistas sociais.
  • Coutinho aponta que, na direita, há busca por ordem e segurança, citando Salazar e o Estado Novo em Portugal; já a esquerda seria tendência de retorno a uma época em que o ser humano era definido por grupo, não pelo indivíduo.
  • Pondé afirma que discursos identitários ganharam força após o colapso da União Soviética, com a esquerda buscando espaços de empoderamento sem enfrentar o capitalismo e sem transformar o padrão de produção.
  • No festival, também houve discussão sobre longevidade com Kalache, que enfatizou políticas públicas para reduzir desigualdades, e Carmen Lúcia, que comentou sobre distribuição de poder e pluralidade humana.

Em Porto Alegre, o Festival Fronteiras abriu espaço para um debate entre dois pensadores sobre obsessões ideológicas na democracia. Luiz Felipe Pondé e João Pereira Coutinho discutiram o avanço de discursos identitários e a crise do liberalismo. O encontro ocorreu no segundo dia do festival, que reuniu mais de 50 pensadores em diferentes palcos do centro histórico.

Os debatedores concordaram que esquerda e direita contemporâneas compartilham um impulso regressivo, segundo o que foi discutido no evento. Eles apontaram o risco de romper com conquistas sociais do liberalismo ao buscar restaurar versões do passado. A conversa ocorreu em meio a mesas que exploraram cultura e autenticidade.

Para Coutinho, a direita tende a enfatizar o passado como ordem e segurança, citando referências históricas de Portugal. Ele também criticou a esquerda por supostamente buscar categorias coletivas que, em sua leitura, afastariam o indivíduo da democracia.

Ponde, por sua vez, afirmou que a esquerda ganhou força com pautas de gênero, sexualidade e opressão racial após o colapso da União Soviética. Segundo ele, essas pautas foram incorporadas como alternativas ao modelo capitalista, sem desafiar a lógica do sistema econômico.

Os pensadores comentaram ainda o papel das ideias ao longo da história. Coutinho ressaltou que as conquistas sociais nasceram de questionamentos a doutrinas rígidas, influenciando o conceito de contrato social liberal moderno. O debate destacou a importância do pluralismo de valores na democracia.

Entre outros temas do festival, a longevidade foi discutida por Alexandre Kalache, que lembrou políticas públicas históricas em Portugal depuis a Revolução dos Cravos. Ele apontou avanços na expectativa de vida e redução de desigualdades proporcionados por investimentos em educação.

A ministra do STF Carmen Lúcia participou de um painel sobre distribuição de poder e pressões sociais. Ela ressaltou que a transformação social envolve reconhecer a diversidade humana, sem ver o ser humano como estático.

O Festival Fronteiras ocorreu com uma programação ampla que incluiu conversas sobre inteligência artificial, debates entre artistas e psicanalistas e panelas sobre a obra de Clarice Lispector, Claudia Piñeiro e outras personalidades. O evento segue em Porto Alegre, com atividades em diferentes espaços culturais.

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