- Datafolha mostra que 70% da população percebe relação entre Lula e o Congresso como mais de confronto do que de colaboração; 20% veem mais cooperação, 2% não veem nenhum e 8% não sabem; margem de erro é de dois pontos percentuais.
- Avaliação do Congresso é ruim ou péssimo para 37% dos entrevistados, bom ou ótimo para 15%, e 43% consideram regular.
- O levantamento contextualiza embates entre Executivo e Legislativo desde 2023, com reversos ao governo e ações como derrubada de vetos e mudanças em pautas específicas.
- No governo, houve avanços como a reforma tributária e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, além de acordo com o presidente da Câmara para votar o fim da escala 6×1.
- A crise ligada ao Banco Master também influencia a opinião pública, com desdobramentos envolvendo senadores e a possibilidade de CPI, embora tenha havido erro deitura na condução de propostas.
O Datafolha revelou que 70% da população vê a relação entre o governo Lula e o Congresso Nacional como de mais confronto que de colaboração. Outros 20% apontam cooperação maior, 2% não veem nem confronto nem cooperação, e 8% não souberam responder. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios, entre terça e quarta-feira. O registro foi feito no TSE sob o código BR-00290/2026. A maior parte das entrevistas ocorreu antes da divulgação de conversas sobre financiamento envolvendo o senador Flávio Bolsonaro.
A pesquisa também aponta avaliação negativa do Congresso, com 37% dos entrevistados considerando deputados e senadores ruins ou péssimos, e apenas 15% com avaliação positiva. Quem classifica como regular chega a 43%.
Entre o público, há divergências conforme o viés político. Bolsonaristas tendem a manter números semelhantes de avaliação, enquanto apoiadores do PT apresentam 17% de aprovação e 37% de desaprovação. A renda e o nível de instrução influenciam as percepções sobre o desempenho legislativo.
Na prática, a relação entre Lula e o Congresso foi marcada por várias disputas desde 2023, incluindo pautas como mudanças em ministérios, veto a projetos sobre segurança de presidiários e políticas ambientais. Em 2025, houve resistência a alterações nas alíquotas do IOF e a medidas para aumentar impostos.
Neste ano, o governo conseguiu aprovar no Legislativo propostas como a reforma tributária e a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5.000, além de acordo entre Lula e o presidente da Câmara para votar o fim da escala de trabalho 6×1. Ainda assim, o Senado derrubou o veto de Lula que reduzia penas para crimes golpistas.
Sobre o desempenho do governo, 39% avaliam Lula de forma ruim ou péssima, 30% veem como boa ou ótima e 29% consideram regular. Os números refletem o desgaste político decorrente de embates entre Executivo e Legislativo.
Contexto político e desdobramentos
A pesquisa também aborda o contexto de alianças e conflitos. Lula busca avançar propostas-chave, como o fim da escala 6×1, ainda neste mês na Câmara, e busca apoio para a PEC da Segurança Pública no Senado. O objetivo é ampliar a governabilidade diante do cenário de MDB, União Brasil e Republicanos nas votações.
O progressively tenso ambiente envolve o Senado, que afastou a indicação de Jorge Messias para o STF, e casos envolvendo o Banco Master, com ligações a dois senadores. Apesar das controvérsias, a instalação de uma CPI sobre o banco foi alvo de debate, mas adiada no momento.
A percepção pública sobre o Legislativo continua crítica, com maior descontentamento entre brasileiros com renda intermediária e maior instrução. A tendência de desconfiança persiste mesmo diante de avanços legislativos apropriadamente divulgados.
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