- Em 1966, Mao Tsé-Tung ordenou uma campanha nacional para expurgar do governo, da educação e das artes elementos contrarrevolucionários, dando início à Revolução Cultural.
- Jovens foram mobilizados para atacar “velhas ideias” e cultuar Mao, com a Guarda Vermelha promovendo o culto à personalidade e ações contra professores, intelectuais e autoridades.
- Os Quatro Velhos (velhas ideias, cultura, costumes e hábitos) foram alvo de destruição, com universidades paralisadas, patrimônio cultural depredado e violência generalizada.
- Cerca de 16 milhões de jovens foram realocados para áreas rurais entre 1968 e 1970, e centenas de milhares teriam morrido em expurgos e lutas pelo poder; a violência alcançou crianças, famílias e comunidades inteiras.
- Mao morreu em setembro de 1976; o regime, porém, manteve o aparato repressivo e posteriormente reconheceu parcialmente os erros, dando início a uma mudança de rumo que aproximou o comunismo da abertura econômica.
A Revolução Cultural teve início em 1966, quando Mao Tsé-Tung ordenou uma campanha nacional para erradicar o que considerava contrarrevolução, influência capitalista e pensamento burgues. O objetivo era transformar a sociedade expulsando o passado e inovando a ideologia política.
A mobilização envolveu milhões de jovens, que passaram a atacar autoridades, professores e funcionários públicos. A ideia era promover uma revolução contínua, com o slogan de romper com as velhas ideias, culturas e hábitos. O movimento foi marcado por cobrança ideológica e violência.
A campanha durou formalmente até 1976 e deixou impactos profundos na China, incluindo paralisação de universidades, destruição de patrimônio cultural e prisões. Em meio ao caos, muitos cidadãos comuns foram afetados pela repressão e pela violência estatal.
O Escopo e a Dinâmica da Revolução Cultural
Em 1966, Mao lançou uma diretiva para eliminar oponentes políticos e reanimar a linha ideológica do Partido. A mobilização envolveu camponeses, operários e sobretudo estudantes, com a exaltação de Mao através do culto à personalidade. Milhares se reuniam para apoiar a revolução.
A Guarda Vermelha emergiu como o grupo mais visível, empenhado em destruir os Quatro Velhos: velhas ideias, cultura, costumes e hábitos. Professores, intelectuais e suspeitos de contrarrevolução eram demitidos, presos ou humilhados publicamente.
Desfiles e concentrações em áreas urbanas, como a Praça Tiananmen, tornaram-se símbolos do período. Ao longo de quase uma década, a violência se espalhou por todo o país, com centenas de milhares de mortes atribuídas a expurgos e lutas pelo poder.
O Grande Salto Adiante e o Enfraquecimento do Movimento
Mesmo com a recessão econômica, Mao viu no início dos anos 60 sinais de recuperação. Em 1961, líderes próximos assumiram a condução da economia, mas o fracasso do Grande Salto Adiante alimentou a retórica de que houve erro político.
A partir de 1965, Mao rotulou alguns dirigentes como seguidores do capitalismo, consolidando posição por meio de aliados radicais, como Jiang Qing e a Gangue dos Quatro. O regime passou a perseguir opositores e consolidar o culto a Mao.
O Legado e as Consequências
Mao morreu em 1976, e o Partido Comunista buscou equilibrar responsabilização e legitimidade ao lidar com os abusos do período. A Gangue dos Quatro foi condenada, e a narrativa oficial tornou Mao figura ambígua, com críticas moderadas para manter a estabilidade.
Ao longo das décadas seguintes, o país combinou repressão com abertura econômica sob novas lideranças. Hoje, muitos ainda discutem o fato histórico, reconhecendo erros e avanços, sem perder de vista o impacto duradouro que a Revolução Cultural teve na sociedade chinesa.
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