- Em 1966, Mao Tsé-Tung lançou a Revolução Cultural para expurgar o que via como contrarrevolucionários e promover culto à sua personalidade, mobilizando milhões de jovens.
- A campanha levou a Guarda Vermelha a atacar professores, intelectuais e autoridades, destruindo tradições e grande parte do patrimônio cultural; universidades ficaram paralisadas e muitos registros foram perdidos.
- Entre 1966 e 1976, o movimento causou violência, expulsões e danos generalizados, com centenas de milhares de mortos em expurgos e disputa de poder.
- Em 1968, Mao decidiu enviar cerca de dezesseis milhões de jovens ao campo para trabalhar na farmo e aprender com camponeses, buscando conter a radicalização.
- Após a morte de Mao, em 1976, o regime reprisou a Gangue dos Quatro e iniciou um processo de abertura econômica sob Deng Xiaoping, buscando conciliar controle político com reformas econômicas.
A Revolução Cultural, cuja data de início completa 60 anos, foi um dos períodos mais sombrios da história da China. Em 1966, Mao Tsé-Tung ordenou uma campanha para eliminar o que chamava de contrarrevolucionários. O objetivo era expurgar o governo, a educação e as artes de influências capitalistas e pensamento burguês. A luta foi contra o passado, as velhas ideias e os velhos costumes.
A mobilização não ficou apenas nas mãos das forças de segurança. Jovens, estudantes e trabalhadores passaram a agir como agentes de repressão, sob uma retórica de limpeza ideológica. A campanha durou oficialmente até 1976 e deixou cicatrizes políticas e culturais profundas.
Ascensão de Mao e o contexto econômico
Mao chegou ao poder em 1949, após a vitória sobre o Kuomintang. O século foi marcado pelo atraso econômico e por assimetrias entre áreas rurais e urbanas. Em 1958, o Grande Salto Adiante buscou industrializar rapidamente a economia agrária, com metas ambiciosas e políticas econômicas controversas.
A agricultura foi coletivizada e, diante de falhas, a economia enfrentou o colapso no início dos anos 60. Desastres naturais contribuíram para uma das maiores fomes da história, com estimativas de dezenas de milhões de mortos. Mao abriu espaço para recuperação administrativa sob supervisão de Liu Shaoqi e Deng Xiaoping.
Início da Revolução Cultural
Em 16 de maio de 1966, Mao emitiu uma diretiva para eliminar opositores e renovar a ideologia. Acreditava que muitos funcionários haviam se corrompido e precisavam ser substituídos, mantendo a ideia de uma nova revolução política.
A mobilização alcançou camadas amplas da sociedade: camponeses, operários e especialmente estudantes. A imagem pública de Mao ganhou destaque com a exaltação de um culto à personalidade, entre manifestações com o Pequeno Livro Vermelho.
Guarda Vermelha e os Quatro Velhos
O movimento juvenil mais conhecido foi a Guarda Vermelha, com milhões de jovens que propagavam os ensinamentos de Mao. O objetivo era destruir os Quatro Velhos: velhas ideias, cultura, costumes e hábitos. Professores e intelectuais foram alvo de expulsões, humilhações públicas e violência.
Universidades paralisaram, hospitais funcionaram com dificuldade e grande parte do patrimônio cultural foi destruída. Famílias inteiras sofreram repressão e prisões, refletindo o clima de campanha permanente.
Caos, remoção e campo
Em 1968, a situação ganhou contornos de guerra civil para muitos observadores. Centenas de milhares de pessoas morreram em expurgos e lutas pelo poder. Mao ordenou o retorno dos jovens ao campo para trabalhar na agricultura, visando acalmar as cidades.
Cerca de 16 milhões de jovens foram deslocados para áreas rurais, buscando aprendizado com os camponeses. Entre 1969 e 1976, o regime manteve o controle ao fortalecer figuras radicais, como Jiang Qing, associada à Gangue dos Quatro.
Legado e desfecho
Mao morreu em setembro de 1976, e o Partido Comunista passou a contextualizar seus excessos. A Gangue dos Quatro foi condenada, enquanto Mao era visto como uma figura marcante porém com falhas reconhecidas.
Deng Xiaoping, reabilitado, liderou a transição para uma China com abertura econômica gradual, mantendo o aparato estatal. O regime manteve controle, mas passou a combinar reformas com repressão contida, aproximando políticas de economia de mercado.
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