- A Operação Compliance Zero da Polícia Federal completou seis meses, investigando o que pode ser a maior fraude ao Sistema Financeiro Nacional, com prejuízos estimados em dezenas de bilhões de dólares e bloqueio de bens próximo de R$ 27,71 bilhões.
- Ao longo das fases até 14 de maio, houve 21 prisões temporárias ou preventivas e 116 mandados de busca; o principal alvo é o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e há envolvimento de políticos e servidores públicos.
- As ações ocorreram em sete estados e no Distrito Federal, abrangendo Bahia, Minas Gerais, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e o DF.
- Na segunda fase, foram bloqueados mais de R$ 5,7 bilhões; houve a detenção de figuras como o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, e outras buscas de destaque.
- Nas fases subsequentes, surgiram acusações de pagamento de propina a autoridades, incluindo o senador Ciro Nogueira, além de desdobramentos como novas prisões, buscas, e a continuidade das medidas de afastamento de representantes do Banco Central e de órgãos reguladores.
A Polícia Federal (PF) encerra seis meses da Operação Compliance Zero, suspeita de uma das maiores fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional. A ação já resultou em bloqueio de bens de aproximadamente R$ 27,71 bilhões e em prisões de investigados, incluindo o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As fases realizadas até 14 de maio revelaram uma rede complexa envolvendo políticos, servidores públicos e agentes do próprio Judiciário.
A investigação, iniciada em 2024 a pedido do Ministério Público Federal, aponta que o esquema teria facilitado a emissão de carteiras de crédito sem lastro financeiro, vendidas a outro banco e reaproveitadas após fiscalização do Banco Central. O caso levou o STF a decretar 21 prisões temporárias e preventivas, bem como mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens.
O Ministério Público Federal envolve Vorcaro em diversas etapas do processo, que também teve desdobramentos relevantes para o BRB e para outras instituições do Grupo Master. O BC determinou a liquidação extrajudicial de várias empresas vinculadas ao conglomerado e o sequestro de ativos dos controladores, em um movimento para proteger o sistema financeiro.
Segunda fase e desdobramentos
Em 14 de janeiro, o STF autorizou 42 buscas e apreensões e bloqueou mais de R$ 5,7 bilhões de investigados. Entre os alvos estavam o empresário Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-presidente da gestora Reag Investimentos. Um caso analisado na ocasião envolveu o cunhado de Vorcaro, que foi detido temporariamente, mas liberado posteriormente.
Terceira a sexta fases
Na terceira fase, Vorcaro foi novamente preso, após a descoberta de mensagens que indicavam instrução para ações violentas contra opositores e jornalistas. Um dos executados foi o líder de uma milícia ligada ao banqueiro, conhecido como Sicário, que morreu durante o atendimento médico após tentativa de suicídio na cadeia. A quarta fase prendeu o ex-presidente do BRB e o advogado de Vorcaro, em investigação de suposta propina.
Em 7 de maio, a quinta fase atingiu o senador Ciro Nogueira e o primo de Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, com novos mandados e o afastamento de suspeitos. A PF aponta indícios de atuação política para favorecer os interesses do Master, com destaque para a proposta de emenda constitucional associada ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Situação atual e desdobramentos legais
A sexta fase, em 14 de maio, resultou em seis mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão, com a captura adicional de um investigado em Dubai através de cooperação internacional. Também houve o afastamento de agentes públicos e o cumprimento de ordens para bloquear ativos adicionais no valor de dezenas de milhões de reais.
O conjunto de ações envolveu sete estados e o Distrito Federal, com o objetivo de mitigar danos ao sistema financeiro e apurar a relação entre o grupo Master e autoridades públicas. A PF confirmou ainda que houve mudanças de gestão em instituições ligadas ao conglomerado, bem como medidas judiciais de restrição de movimentação de ativos e de cumprimento de medidas judiciais.
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